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Como Iniciar sua Empresa de Alta Tecnologia

Ben Casnocha

Venture Capital Meets Hi-Tech

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
Capital de Risco: Um Manual Básico
Perfil de Empreendedora Imigrante: Asa Kalavade, co-fundadora do Tatara Systems, nascida na Índia
Da Ponderosa ao Googleplex: Como os Americanos Combinam Dinheiro com Idéias
Perfil de Empreendedor Imigrante: Patrick Lo, fundador da Netgear, nascido na China
Por dentro do Mundo Real dos Capitalistas de Risco
Perfil de Empreendedora Imigrante: Nancy Chang, co-fundadora da Tanox, nascida em Taiwan
Como Iniciar sua Empresa de Alta Tecnologia
Perfil de Empreendedor Imigrante: Zvi Or-Bach, fundador da eASIC, nascido em Israel
Não Somente Semicondutores: O Vale do Silício e a Cultura da Inovação
A Ascensão da Classe Criativa
Em Números
Recursos na Internet
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It's never too soon to start: <em>BusinessWeek</em> magazine named Ben Casnocha one of American's top young entrepreneurs.
Nunca é cedo demais para começar: a revista BusinessWeek apontou Ben Casnocha como um dos mais importantes jovens empreendedores dos Estados Unidos (Cortesia: Ben Casnocha)

Políticas e ações culturais do governo americano contribuem para um clima de iniciativa empresarial e aceitação do fracasso como um dos preços inevitáveis de sucesso futuro. As oportunidades, especialmente para os jovens, são imensas.

Ben Casnocha é o autor do livro My Start-Up Life: What a (Very) Young CEO Learned on His Journey Through Silicon Valley [Minha Vida de Iniciante: O Que um CEO (Bem) Jovem Aprendeu em sua Jornada pelo Vale do Silício]. A revista BusinessWeek incluiu Casnocha entre os principais jovens empresários dos Estados Unidos e o site PolitcsOnline apontou-o como uma das pessoas mais influentes do mundo da internet e da política. Casnocha mantém um blogue em http://ben.casnocha.com.

Nos meus primeiros anos do ensino médio, tive um professor de tecnologia que me obrigou a decorar o texto de uma propaganda de televisão sobre a Apple Computer com o título “Pense Diferente”. A última frase da propaganda dizia: “As pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são as que realmente o fazem.” Considerei essa mensagem e seu embaixador (meu professor) inspiradores. Eles me fizeram querer lançar uma empresa para mudar o mundo.

Mas, que tipo de empresa? Eu precisava de uma boa idéia. Na época em que decorei a propaganda, fui assistir a um jogo de futebol americano profissional em São Francisco. Os assentos do estádio estavam sujos. Quis fazer uma reclamação sobre isso à cidade de São Francisco. Quando tentei registrar minha queixa, descobri que a cidade não tinha um método organizado de lidar com os contatos dos cidadãos. Em minha frustração, falei com os meus botões: “Deve haver um jeito melhor de fazer isso!”

Essa experiência pessoal me levou a dar início a uma empresa de alta tecnologia que resolveria o problema com que me deparei. Fundei minha empresa, a Comcate, em 2001, com o objetivo de melhorar o serviço de atendimento ao cidadão do governo local. Desenvolvi um software que permite às cidades rastrear, gerenciar e solucionar queixas dos cidadãos. Por exemplo, os cidadãos do nosso governo local podem acompanhar com facilidade uma queixa sobre um buraco na rua, um poste de iluminação quebrado, um galho de árvore caído e outros problemas semelhantes. Tornar automático o acompanhamento das tarefas não somente deixa os cidadãos mais satisfeitos, mas ainda economiza dinheiro do governo. Passei vários anos desenvolvendo esse empreendimento.

High-tech entrepreneurs thrive in much of the world.  Entrepreneurship Week India was celebrated in 25 Indian cities, including Bangalore, where Biocon Limited Chairman and Managing Director Kiran Mazumdar Shaw delivered the keynote address.
Empresários de alta tecnologia prosperam em grande parte do mundo. A Semana do Empreendedorismo da Índia foi comemorada em 25 cidades indianas, inclusive Bangalore, onde o presidente e a diretora-gerente da Biocon Limited, Kiran Mazumdar Shaw, fez o discurso de abertura (Aijaz Rahi/© AP Images)

O típico e o atípico

Em alguns aspectos, minha jornada empresarial foi típica. Primeiro, minha idéia veio de uma experiência pessoal. Boas idéias quase sempre são mais inspiradas por experiências diretas do que por sessões de brainstorming dentro de um edifício de escritórios.

Em segundo lugar, passei por êxitos e fracassos. O início de uma empresa é chamado de “montanha-russa” por um bom motivo: há muita incerteza, e cada dia traz sua cota de altos e baixos, de boa e má sorte. Contratar o funcionário errado para a empresa foi um dos meus fracassos mais memoráveis. Minha incapacidade de julgar o potencial de alguém que servisse para a empresa resultou em perda de tempo e dinheiro. Os melhores empreendedores têm capacidade de adaptação para prosperar nessas situações caóticas.

Em terceiro lugar, possuir redes de contatos — constantemente encontrar novas pessoas — foi e continua sendo parte importante da rotina diária. Todos os dias dedico uma hora para pensar sobre as pessoas que conheço e como me manter em contato com elas. E com quem mais eu quero me encontrar. Talvez sejam líderes de venda, talvez somente mentores pessoais. De qualquer forma, uma rede de contatos tem sido importante para meu sucesso pessoal e profissional.

Em outros aspectos, minha experiência não foi tão típica. Sou jovem. Dei início à minha empresa com 14 anos. Agora tenho 20 anos. Tive de superar desafios ligados à minha idade. Precisei convencer as pessoas a me levarem a sério e ignorar os derrotistas. Precisei aprender os aspectos práticos dos negócios — como definir um problema, formular uma solução, construir um protótipo e vendê-lo — em grande parte sozinho. Com poucos contatos profissionais, precisei estabelecer uma rede de consultores e patrocinadores. E eu tinha o desafio de equilibrar vida e trabalho: ir à escola e desenvolver minha empresa ao mesmo tempo.

Minha juventude pode também ter trabalhado a meu favor. Às vezes não saber muitas coisas pode ajudar, desde que você “faça as perguntas bobas”. Graças à minha falta de experiência, eu tinha menos preconceitos e conseguia abordar um problema com olhos virgens.

Políticas e cultura americanas

Felizmente, ao ponderar sobre a minha idéia empresarial como um garoto, estava sendo criado nos Estados Unidos, um país que oferece muitos benefícios a empreendedores em termos tanto de políticas governamentais quanto de uma cultura geral de empreendedorismo.

O governo americano facilita a abertura de empresas. Há pouca documentação a ser preenchida. Há uma crença fundamental nos Estados Unidos de que empreendedores do setor privado devem ter a máxima liberdade de fazer o que precisam para desenvolver seus negócios. Regulamentações governamentais e documentações onerosas podem inibir a criatividade de um empreendedor e, portanto, devem ser evitadas. Dentro desse espírito, o governo oferece benefícios fiscais a pequenos empresários e financia programas educacionais. O governo acredita no poder da empresa privada.

A não ser pelo fornecimento de serviços emergenciais como proteção policial e contra incêndios, as políticas americanas geralmente favorecem a competição em um mercado aberto em vez de um equivalente nacionalizado. Nosso país, portanto, dá as boas-vindas a principiantes, mesmo a jovens empresários.

As atitudes culturais dos Estados Unidos são ainda mais importantes para seu sucesso empresarial. Nos Estados Unidos, se você tiver a coragem de abrir uma empresa, você é elogiado e incentivado. Você é visto como inovador, pioneiro, um rebelde bem-sucedido. Se fracassar — e há uma boa chance de que isso ocorra ao iniciar seu próprio negócio — a maioria dos americanos não dará importância, considerando isso uma oportunidade de aprendizado. Não é vergonha fracassar. Famílias, escolas e mídia irão compartilhar dessa aceitação do fracasso.

Em certo sentido, nos Estados Unidos, você sempre tem direito a “um novo começo”. Os jovens, em especial, são vistos como faróis de inovação e criatividade. Como jovem aspirante a empresário, tirei vantagem dessas atitudes. Orgulhei-me de minha individualidade e persegui minhas idéias sem constrangimento.

Não há só uma abordagem "certa"

Os países que promovem o empreendedorismo tendem a ser mais bem-sucedidos sob o ponto de vista econômico. O economista William Baumol apontou o empreendedorismo como “componente indispensável” do crescimento econômico e da prosperidade nos Estados Unidos. Com mais de 16 milhões de pessoas empregadas por empresas com menos de dez funcionários, os Estados Unidos realmente são movidos por pequenas empresas.

Mas os Estados Unidos não são o único lugar que reconhece a importância econômica do empreendedorismo. A China, a Índia e outros países também enfatizam a importância de empresas de pequeno porte e estão prosperando graças a isso. A abordagem dos próprios empreendedores em cada um desses países pode variar. Não há só um caminho certo para o sucesso empresarial. Ao contrário, depende do indivíduo — você.

Nos Estados Unidos, os empresários mais bem-sucedidos parecem diferentes. A Google Inc., uma das potências das empresas de tecnologia dos Estados Unidos, foi co-fundada por um imigrante russo crânio, Sergey Brin, que não dava muita importância à atenção da mídia. Ele doutorou-se em ciências da computação em uma universidade de ponta. Estudou como as fórmulas matemáticas poderiam melhorar os resultados dos mecanismos de busca. A Oracle, outra potência das empresas de tecnologia, foi fundada por um indivíduo que abandonou a faculdade e desenvolveu sua empresa com estratégias agressivas de vendas. Ele se tornou uma celebridade da mídia. Nem todos os empresários americanos bem-sucedidos se parecem ou agem como o magnata do setor imobiliário Donald Trump; na verdade, são poucos assim. Em vez disso, proprietários de empresas bem-sucedidos encontram o rumo certo por sua própria conta.

Mais e mais pessoas estão encontrando o caminho e o espírito empreendedor dentro de si mesmos. De fato, estamos passando por uma época de ouro do empreendedorismo nos Estados Unidos. Especialmente entre os jovens — minha geração — a perspectiva de iniciar seu próprio empreendimento de risco nunca pareceu tão emocionante. A maioria dos alunos de pós-graduação atualmente indica em pesquisas que planeja em algum momento iniciar seu próprio negócio.

Microchip manufacturing at the Cleveland, Ohio, Microsystems Academy, founded by young students who help start-ups locate manufacturing equipment they can rent.
Fabricação de microchips na Microsystems Academy, fundada por estudantes em Cleveland, Ohio (James A. Ross/The Plain Dealer/© AP Images)

A hora é agora

Esta ânsia de controlar o próprio destino não é limitado aos americanos: em todo o mundo, jovens e velhos estão dando conta da satisfação de criar novos negócios. Mesmo que você viva em uma área que não é tradicionalmente tão democrática quanto os Estados Unidos ou não tão tolerante com o fracasso ou a experimentação, ou ainda não tenha estabelecido mercados de capital privado maduros, nunca houve antes uma época melhor para começar. A internet tornou a localização física menos importante. Da Zâmbia até a Nova Zelândia, do Canadá até a Costa Rica, você pode acessar a internet, aprender sozinho e conectar-se com pessoas com interesses semelhantes. Na maioria dos casos, o caminho empresarial se inicia ao abrir um navegador da web.

Portanto, una-se à comunidade empresarial global. Dê início à sua própria empresa de alta tecnologia. Compartilhe suas lições e experiências. Compartilhe sua história. Na pior das hipóteses, você irá falhar. Na melhor, você mudará o mundo, resolverá o problema de alguém ou talvez ganhe muito dinheiro. O que está esperando?

Venture Capital Meets Hi-Tech

As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.

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