Eficiência energética tinha mais a ver com o aumento de lucros do que com a salvação do planeta. Atualmente, precisa-se de menos da metade da energia para produzir um dólar de produção econômica do que em 1970, segundo pesquisa recente do Conselho Americano para uma Economia de Energia Eficiente. Nos últimos 20 anos, a fabricação de aço viu uma melhora de 167% na eficiência energética. A eficiência energética de sistemas de computadores teve uma melhora extraordinária de 2,8 milhões por cento. Em outras palavras, as empresas vêm procurando modos de reduzir custos desde que começaram a ter produtos manufaturados. Naturalmente, os tempos mudaram. Há um novo ímpeto para que as empresas americanas façam escolhas de eficiência energética ou verdes. A comunidade científica global declarou que o aquecimento global é muito provavelmente causado pelo homem e que o clima e os ecossistemas da Terra já estão sendo afetados pelos gases de efeito estufa. Além disso, a opinião pública parece ter mudado e as pessoas estão exigindo mudanças por parte das empresas. Alguns consumidores afirmaram estar dispostos a pagar mais para que as empresas produzam produtos mais verdes. De acordo com a empresa Forrester Research, 12% dos adultos americanos estão dispostos a pagar mais por produtos eletrônicos com menor consumo de energia ou originários de empresas com responsabilidade ambiental.
EDIFÍCIOS VERDES As empresas estão levando a sério a edificação verde, bem como a subseqüente economia de energia, recursos naturais e dinheiro. Novas tecnologias e a importância cada vez maior do programa de certificação de Liderança em Projeto Energético e Ambiental (LEED) do Conselho de Edifícios Verdes dos EUA (USGBC), além de novos códigos de eficiência, estão ajudando a impulsionar a adoção corporativa. A economia para as empresas pode ser enorme. O conglomerado financeiro Citigroup, com uma carteira de imóveis equivalente a 8,5 milhões de metros quadrados no mundo todo, adotou medidas de economia de energia, como desligar as escadas rolantes nas entradas dos prédios e reformar agências bancárias para permitir mais luz natural e materiais reciclados. A empresa diz ser possível economizar até US$ 1 por 0,09 metro quadrado por ano, ou aproximadamente US$ 100 milhões anualmente, fazendo com que seus escritórios usem menos energia. Esse tipo de economia potencial está levando varejistas como Wal-Mart, Target, Starbucks, Best Buy, Lowe’s e REI a construir protótipos de lojas de edificações verdes. A loja Best Buy afirma que no futuro construirá somente lojas favoráveis à ecologia, certificadas pelo USGBC por intermédio do LEED. O varejista de equipamentos de escritório Office Depot diz que alcançou 10% de redução absoluta em emissões de dióxido de carbono de gás natural e na eletricidade consumida em suas lojas de varejo, depósitos e escritórios na América da Norte ao instalar tecnologia com maior eficiência energética. ENERGIA VERDE
Os avanços tecnológicos também estão levando as empresas americanas a aumentar a quantidade de energia alternativa usada. E os incentivos do governo estão fazendo com que fontes de energias alternativas, como energia solar e eólica, sejam economicamente viáveis. O Google espera investir centenas de milhões de dólares em projetos de energia renováveis. A meta da iniciativa REC (Energia Renovável mais Barata do que o Carvão) do gigante site de buscas na internet é desenvolver eletricidade a partir de fontes de energias renováveis que serão mais baratas do que a eletricidade produzida a partir do carvão. Inicialmente, o Google se concentrará na energia solar térmica avançada, energia eólica, sistemas geotérmicos aprimorados e outras tecnologias de avanço potencial. As empresas também estão encontrando modos menos dispendiosos de incorporar a energia verde. O fabricante de batatas fritas e salgadinhos Kettle Foods instalou 18 turbinas eólicas no teto de sua nova fábrica em Beloit, Wisconsin. As turbinas são projetadas para gerar aproximadamente 28 mil quilowatt/hora de energia todo ano suficientes para produzir 56 mil pacotes de batatas fritas. A empresa de fabricação de nanotecnologia Applied Materials está instalando mais de 1,9 megawatts de capacidade de geração de energia solar em espaços de telhados abertos e em áreas de estacionamento em seu campus de pesquisa em Sunnyvale, Califórnia. Quando estiver finalizado, em 2008, o sistema da Applied Materials gerará mais de 2.330 megawatt/hora anualmente suficientes para abastecer 1.400 casas. A West Virginia Alloys, maior produtora de silício nos Estados Unidos, assinou contrato com a Recycled Energy Development para construir um sistema de geração de eletricidade com o objetivo de captar gases quentes oriundos dos fornos de silício para fazer vapor e acionar geradores. E em sua fábrica em Casa Grande, Arizona, o fabricante de salgadinhos Frito-Lay vai usar gás metano para abastecer a caldeira da fábrica. Além disso, a empresa construirá pelo menos 20 hectares de concentradores solares e um gerador de biomassa. OPERAÇÕES VERDES Para entender como empresas sérias estão prestes a reduzir a quantidade de energia usada para realizar suas operações, não é preciso ir além da General Electric Company para buscar um exemplo. A GE se comprometeu a investir US$ 1,5 bilhão anualmente em pesquisa e desenvolvimento de ecoimaginação até 2010. Um dos quatro compromissos de ecoimaginação da GE originalmente firmados em 2005, o investimento em pesquisa e desenvolvimento alcançou mais de US$ 2,5 bilhões desde o início do programa. Em maio de 2007, a GE anunciou que tinha dobrado as vendas de produtos ecologicamente corretos para US$ 12 bilhões nos dois anos anteriores. O Wal-Mart está medindo a quantidade de energia usada para criar produtos em toda sua cadeia de suprimentos, inclusive processos de compras, produção e distribuição. O varejista está iniciando um plano-piloto com um grupo de fornecedores para procurar novas maneiras de melhorar a eficiência energética de toda sua cadeia de fornecimento. A SC Johnson, líder na fabricação de produtos de limpeza, recentemente terminou um projeto de transporte e logística que eliminou 1.882 toneladas de gases de efeito estufa durante um período de 12 meses, usou 2.098 caminhões a menos, reduziu 168 mil litros no consumo de combustível e economizou aproximadamente US$ 1,6 milhão. O QUE VEM PELA FRENTE As empresas estão começando a perceber que escolhas verdes podem significar maiores lucros. Alguns especialistas acreditam que uma diminuição repentina nos custos energéticos não significará necessariamente o fim da adoção da tecnologia verde como aconteceu nos anos de 1970, quando as empresas americanas enredaram-se com o verde. Além disso, como os Estados Unidos se aproximam de alguma forma do cap and trade (sistema que fornece incentivos econômicos para a redução de poluição), as empresas devem aumentar a adoção de tecnologias verdes.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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