Sustentabilidade dentro da Cadeia de FornecimentoPatrick C. Penfield
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Vivemos numa época dinâmica, de crescimento sem precedentes no mundo inteiro. O comércio entre países está aumentando em ritmo exponencial. Ao mesmo tempo, os recursos mundiais estão sendo exauridos e consumidos mais depressa do que nunca e as matérias-primas estão ficando mais caras e escassas. Muitas empresas se digladiam com despesas enquanto tentam aumentar os lucros. O foco atual da maioria das empresas é o desenvolvimento de uma cadeia de fornecimento "sustentável" que seja suficientemente robusta para manter-se por conta própria e melhorar de fato o meio ambiente. Toda empresa tem uma cadeia de fornecimento. Uma cadeia de fornecimento é simplesmente: Um exemplo de cadeia de fornecimento é um fabricante de carros que pega aço e outros componentes (insumos), monta-os com mão-de-obra e máquinas (transformação) e produz um carro (produção). Um exemplo de cadeia de fornecimento em um ambiente de serviços é um serviço de entrega de pacotes que recebe pacotes (insumo), armazena-os e os prepara para entrega (transformação) e em seguida os entrega aos destinatários (produção). Em geral, a cadeia de fornecimento representa custo para as empresas, e é por isso que elas se concentram tanto na sustentabilidade. A verdade é que, com o custo da matéria-prima e da energia cada vez mais alto, atualmente para as empresas faz sentido abraçar a causa da sustentabilidade. O retorno do investimento agora é viável para as empresas, desse modo elas podem empregar processos que usam menos energia e materiais.
REDUÇÃO DE CUSTOS E ELIMINAÇÃO DE RESÍDUOS No ano passado, desenvolvi um modelo chamado Cadeia de Fornecimento Sustentável Verde. Muitas empresas rumam nessa direção, e as cadeias de fornecimento evoluirão nessa área. De maneira ideal, a meta do modelo de cadeia de fornecimento é usar materiais e processos não prejudiciais ao meio ambiente e eliminar qualquer resíduo dentro da cadeia de fornecimento a fim de tornar-se tão sustentável quanto possível. Ao tomar o rumo de uma cadeia de fornecimento sustentável verde, as empresas descobrirão novas oportunidades de redução de custos. Outro foco de várias empresas será pensar um sistema "inteiro" contra pensar "em nível de componente". Pensar em nível de componente – uma mentalidade que diversas empresas ainda adotam – é o conceito de conseguir o menor preço para um componente e desconsiderar os custos gerados por ele para o sistema. Costuma-se muitas vezes pensar em nível de componente por ser uma meta ou objetivo determinado por uma empresa ou organização. Se olharmos para os custos gerais produzidos por um componente, porém, talvez fique óbvio que teria se justificado gastar mais dinheiro inicialmente com um componente mais caro que reduz o custo total do sistema. Como nos contam Paul Hawken, Amory Lovins e L. Hunter Lovins em seu livro Capitalismo Natural: "Componentes individuais são geralmente considerados isoladamente. Projetar uma janela sem o edifício, uma luz sem a sala ou um motor sem a máquina que ele aciona funciona tão mal quanto projetar um pelicano sem o peixe. Otimizar componentes isoladamente normalmente traz os piores resultados para o sistema inteiro e, portanto, para os resultados finais." Muitas empresas se digladiam com essa questão porque não medem com eficácia o custo de cada componente dentro do sistema inteiro. Algumas empresas estão empregando uma abordagem baseada em dois pontos para tornar seus processos "verdes". Um aspeto é dirigir os processos existentes para o modelo da cadeia de fornecimento sustentável verde, e o outro é adotar novos processos e projetá-los para a sustentabilidade. O conglomerado global americano 3M tem um programa chamado Prevenir-se da Poluição se Paga (3P). A política da empresa, como descrito por Daniel Esty e Andrew Winston no livro Green to Gold [Do Verde para o Ouro], é o fato de que "qualquer coisa que não esteja em um produto é considerado custo. No entender dos executivos da 3M, tudo o que sai de uma fábrica é um produto, um sub-produto (que pode ser reutilizado ou vendido) ou um resíduo. Por que, perguntam eles, deve haver resíduos ?" Essa é uma política que toda empresa precisa começar a emular.
CUSTOS E CONSERVAÇÃO DE ENERGIA Hoje em dia, o foco principal de diversas empresas com relação à cadeia de fornecimento é a energia. Com o barril de petróleo sendo negociado a mais de US$ 100, as empresas estão encontrando dificuldades para absorver esse custo. Para a maioria das empresas, a ênfase é descobrir como consumir menos energia ou encontrar uma opção de energia alternativa para compensar o aumento dessa despesa. Nos Estados Unidos, a energia do etanol, da biomassa, das células de combustível, a energia eólica, solar, nuclear e diversas outras opções energéticas estão sendo avaliadas pelas empresas. A outra grande iniciativa energética é a conservação. O gigante do varejo Wal-Mart tornou-se importante agente da sustentabilidade. Essa empresa destinou espaço em seu site [http://walmartstores.com/] para mostrar o que está fazendo para ajudar o meio ambiente. O foco tem sido a redução da quantidade de combustível consumido por seus caminhões e suas lojas pelo uso de energia alternativa e pela conservação da energia. Como cita o site do Wal-Mart: "Temos como meta ser abastecidos por 100% de energia renovável, criar resíduo zero e vender produtos que mantenham nossos recursos e nosso meio ambiente." O Wal-Mart está usando lâmpadas fluorescentes compactas em várias de suas lojas, empregando células de combustível a hidrogênio em suas empilhadeiras, colocando portas em unidades de refrigeração, substituindo iluminação fluorescente por iluminação LED (diodo emissor de luz) e conservando a energia elétrica usada quando os caminhões da frota estão ociosos. Segundo as expectativas do Wal-Mart, a empresa deverá economizar milhões de dólares agindo de modo sustentável.
Outras empresas também se concentraram na sustentabilidade e reduziram custos. De acordo com Esty e Winston, o fabricante de chips AMD modificou uma ferramenta de "processamento por via úmida" para consumir menos produtos químicos e, ironicamente, menos água na limpeza das lâminas de silício. O processo, que antes consumia 68 litros de água por minuto, agora consome menos de 22. O fabricante de calçados Timberland redesenhou suas caixas de sapatos para eliminar 15% do material usado nelas – uma economia fenomenal quando se expede mais de 25 milhões de pares por ano. DE OLHO NO FUTURO As grandes vantagens das empresas ao se tornar sustentáveis são a redução dos custos e a ajuda ao meio ambiente. Nos Estados Unidos existem muitas peças legislativas ambientais no Congresso à espera de aprovação. Enquanto isso, as empresas estão sendo proativas, concentrando-se na sustentabilidade. Muitos cidadãos do mundo inteiro exigem hoje produtos não prejudiciais ao meio ambiente. Podemos esperar para os próximos anos normas ambientais mais rigorosas para todas as empresas. O futuro da sustentabilidade parece verde!
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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