Consumidores Querem o VerdeTraci Purdum
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Como jornalista americana de negócios, meu trabalho exige estar atenta à s tendências de consumo. Não importa para qual setor esteja escrevendo, o elemento crucial do livre mercado é o consumidor final. Infelizmente alguns consumidores são inconstantes. O objeto de desejo mais cobiçado de hoje será o lixo de amanhã – seja pelo curso natural dos modismos passageiros ou pelo fenômeno muitas vezes enlouquecedor da obsolescência instantânea. Mas os consumidores parecem estar cada vez mais conscientes dos efeitos do seu consumo no meio ambiente. Esses consumidores são inteligentes e querem que as empresas com as quais fazem negócio também se comportem do mesmo modo. Isso significa não apenas criar produtos que ajudem os consumidores a organizar a vida, conseguir sucesso pessoal e profissional, apresentar-se em sua melhor forma, sentir-se muito bem e serem invejados por seus vizinhos, mas também que os ajudem a reduzir suas pegadas de carbono. Este ano registra o 38º aniversário do Dia da Terra, idéia original de um senador americano que pensou em levar ao domínio do povo dos EUA as preocupações com o meio ambiente. Como divulgado no site da Rede do Dia da Terra, na época no primeiro Dia da Terra "os americanos 'bebiam' gasolina com chumbo em seus enormes sedans com motor V-8. A indústria 'vomitava' fumaça e sujeira sem preocupações com problemas legais ou publicidade negativa. A poluição do ar era comumente aceita como o cheiro da prosperidade. Meio ambiente era uma palavra que aparecia mais freqüentemente nos concursos de soletração do que no noticiário da noite." Embora nos anos 1970 a mensagem levasse tempo para criar um efeito positivo, no mundo atual é difícil não estar consciente – ou ao menos curioso – sobre o impacto causado nos nossos limitados recursos. E é essa preocupação que tem levado empresas a atender o desejo dos consumidores de serem menos ofensivos ao meio ambiente. CONTRUÇÃO DO VERDE
Realmente, ser "verde" é o novo modismo que começa a abrir espaço na sociedade, por meio de comerciais, programas de televisão, dossiês de empresas e conferências. Para ter certeza disso, no final de 2007 participei da Conferência e Exposição Internacional de Edifícios Verdes do Conselho de Edifícios Verdes dos EUA realizada em Chicago. O evento atraiu mais de 20 mil construtores, arquitetos, estudantes e mídia ambientalmente conscientes – estavam todos lá para presenciar a profunda transformação da indústria da construção. Para iniciar a conferência o ex-presidente Bill Clinton anunciou à platéia global a realização de novas parcerias com vistas a melhorar a eficiência energética de centenas de milhões de metros quadrados de propriedades públicas e privadas por todo o país. A iniciativa ecológica abriu caminho em uma indústria de péssima reputação por esgotar recursos florestais e engolir espaços verdes. Por quê? Porque isso está sendo exigido pelos consumidores. PRODUÇÃO VERDE E o que os consumidores querem, eles conseguem. Sem dúvida, os fabricantes projetam para o meio ambiente com a atenção voltada para os dólares do consumidor. A General Electric, por exemplo, levou a cabo a campanha denominada ecoimaginação para ressaltar o foco da empresa em um ambiente mais limpo. E a Nike lançou uma equipe de ação ambiental voltada para programas de reciclagem, educação e projetos inovadores, como o Reutilize um Calçado, que recicla calçados e os transforma em produtos novos. Essas empresas entendem o poder do verde e seu significado para os lucros. Atuar no mercado deixando a preocupação com os recursos em último lugar é, no mínimo, irresponsável. Mas não é simplesmente uma questão de responsabilidade ambiental. As empresas sabem que o poder de comercializar produtos verdes é mais importante para os lucros do que reduzir a pegada de carbono. Anunciando uma "Apple mais verde" Steve Jobs, diretor executivo da Apple Inc., escreveu recentemente uma carta a seus clientes observando que sua empresa "vinha sendo criticada por algumas organizações ambientalistas por não ser líder na remoção de substâncias tóxicas de seus novos produtos e por não reciclar os antigos de modo veemente e apropriado. Ao verificar as práticas atuais e o andamento da consecução dessas metas, fiquei surpreso por saber que em muitos aspectos a Apple está na liderança, ou estará em breve, em comparação com a maioria de seus concorrentes nessas áreas. Sejam quais forem as melhorias que precisamos fazer, é evidente que não soubemos comunicar o que estamos fazendo bem." Segundo observação de alguns analistas da industria eletrônica, a melhor coisa que uma empresa pode fazer pela Terra é aumentar o espaço de tempo entre a compra de novos hardwares. No futuro os consumidores colherão os frutos de uma batalha entre os fabricantes de eletrônicos que disputam seus dólares por meio de atualizações em vez de produtos inteiramente novos e caros. VIAGEM VERDE Curiosamente, as preocupações dos consumidores não estão concentradas somente nos produtos. Como viajam e para onde vão em suas viagens a trabalho ou lazer também pode ser determinado pelo impacto ambiental. Viagens verdes e hotéis verdes surgem por todos os cantos e atraem mais do que os turistas ecológicos que correm o mundo defendendo a causa verde. Até os viajantes eventuais têm tido oportunidade de conhecer iniciativas ecológicas de formas sutis. Desde os avisos nos quartos dos hotéis que pedem aos hóspedes para reutilizar toalhas de banho e evitar a troca diária da roupa de cama a fim de economizar água até o fechamento da conta sem papelada, a indústria de viagens e turismo está sabendo capitalizar a necessidade de respeitar o meio ambiente. Os consumidores sentem-se satisfeitos hospedando-se em um hotel verde, e os hotéis diminuem suas despesas com água e eletricidade e ficam satisfeitos por reduzir suas contas. Mas, e as viagens aéreas? A poluição causada pelos aviões na forma de nitrogênio e dióxido de carbono que destroem a camada de ozônio tem feito muitas pessoas pensar duas vezes sobre sua forma de transporte. Como podem fazer caminhadas ecológicas na Terra e ainda desfrutar da conveniência dos aviões?
Uma tendência recente são os programas de compensação de carbono. Esses programas visam consumidores com consciência pesada que desejam se redimir de seus pecados ambientais. Por exemplo, a Continental Airlines recentemente lançou um programa de compensação de carbono desenvolvido em parceria com a organização sem fins lucrativos Sustainable Travel International. O programa voluntário permite aos consumidores do mundo todo ver a pegada de carbono do itinerário reservado, calculado pela Sustainable Travel International com base no consumo de combustível do avião da Continental. A partir dessa informação, os viajantes podem fazer uma contribuição para um entre quatro conjuntos de projetos dessa entidade:
RESULTADO VERDE ESPERADO O que começou como o sonho dos nossos antepassados de voar como pássaros, construir edifícios que tocam o céu e traçar rotas pelo mundo todo cresceu até se transformar em indústrias gigantescas que em seus primórdios ignoravam seus efeitos nocivos sobre o meio ambiente – tudo em nome do progresso. Agora, como a Phoenix ressurgindo das cinzas de um ciclo de vida passado, a indústria se deixa guiar pelo meio ambiente e tenta renascer – tudo em nome da demanda do consumidor.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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