O Significado Espiritual e Cultural dos Parques NacionaisEdwin Bernbaum
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As fantásticas paisagens e características da natureza preservadas nos parques nacionais têm a capacidade de despertar um extraordinário sentido de deslumbramento. A elevação etérea de um pico na neblina, o deslizar suave de uma águia em vôo, a inclinação brilhante dos raios de sol perfurando as profundezas de uma floresta primitiva tais vislumbres de beleza natural podem emocionar as pessoas de formas inexplicáveis. Os parques nacionais transportam os visitantes para muito longe dos confins da rotina da existência, para mundos fantásticos, cheios de mistério e esplendor, governados por forças além do nosso controle. Ao visitar os parques nacionais, muitos buscam transcender as distrações superficiais que perturbam a vida de cada dia e vivenciar algo de valor mais profundo e duradouro. De fato, esses santuários naturais intocados representam lugares de renovação espiritual onde podemos retornar à fonte do nosso ser e recuperar o frescor de um novo começo. Além do seu valor científico como repositórios da diversidade e do conhecimento geológicos e biológicos, os parques nacionais revestem-se de um profundo significado espiritual e cultural para o povo americano. A idéia da natureza como local de inspiração e renovação desempenhou papel fundamental na criação do Serviço Nacional de Parques em 1916. Por exemplo, a principal motivação de um dos primeiros conservacionistas, John Muir, para trabalhar pela criação do Parque Nacional de Yosemite na Califórnia foi a de preservar o Vale de Yosemite como "um templo muito mais imponente do que qualquer outro feito pela mão humana". Estudo da Associação de Conservação dos Parques Nacionais (NPCA) constatou que a mensagem mais convincente para galvanizar o apoio público aos parques nacionais é que eles "nos oferecem alguns dos mais belos, grandiosos e espetaculares lugares da Terra". A beleza e a grandiosidade dos parques nacionais inspiraram importantes obras de arte, fotografia, literatura e música. No final do século 19, os surpreendentes quadros de Thomas Moran, do Parque Nacional de Yellowstone (Wyoming), e os de Albert Bierstadt, do Vale de Yosemite, ajudaram a chamar a atenção do país para esses lugares extraordinários. As imagens de árvores imutáveis e montanhas monumentais do fotógrafo Ansel Adams evocam um mundo de eterna beleza preservado nos parques nacionais. O compositor Ferde Grofé ficou tão impressionado com a visita ao Grande Canyon (Arizona), que se sentiu incapaz de expressar seus sentimentos com palavras e só conseguiu comunicar sua experiência por meio da música, compondo, assim, a sua obra mais famosa, a Suíte Grande Canyon. Os parques nacionais funcionam como ícones culturais de herança e identidade. Para muitos, eles preservam a essência pura e o espírito pioneiro dos Estados Unidos. Os pais levam a família para viagens aos parques nacionais como peregrinações seculares para se familiarizarem com os marcos nacionais que cultuam os valores, os ideais e a origem da nossa nação. No estudo da NPCA, a segunda mensagem mais convincente, surgindo logo depois, foi: "Nossos parques nacionais são o legado que deixamos para nossos filhos."
Ícones como o Yellowstone, o Yosemite e o Grande Canyon passaram a representar a nação como um todo, enquanto o pico permanentemente nevado do Monte Rainier, em Washington, tornou-se símbolo evocativo do Noroeste do Pacífico. Muito da atração do parque nacional mais visitado, o das Grandes Montanhas Fumegantes (Great Smoky Mountains), vem da associação com as culturas apalache e cheroqui. Os parques nacionais resguardam importantes aspirações e valores americanos. Os elevados picos e os profundos canyons dos parques, tais como o de Denali (Alasca) e o do Grande Canyon, expressam a majestade e a grandeza dos Estados Unidos exaltadas no hino nacional "America the Beautiful". As vastas paisagens e os lugares sem obstáculos preservados dentro do Sistema Nacional de Parques servem para lembrar a busca de liberdade e independência que está na essência da cultura e da história dos EUA. As montanhas altas e as áreas selvagens remotas, em parques tais como Grand Teton (Wyoming), North Cascades (Washington) e Wrangell-St. Elias (Alasca), oferecem oportunidades para os tipos de desafios e aventuras que formam o caráter e contribuem para o espírito de "poder fazer" do país. Muitos vão para florestas primitivas e lugares tranqüilos em Redwood (Califórnia), nas Montanhas Rochosas (Colorado) e em outros parques nacionais, como catedrais naturais, procurando encontrar a paz e a contemplação e recobrar o sentido de quem são e do que é importante na vida. Os índios americanos, junto com as culturas nativas do Havaí, do Alasca e de Samoa, vinculam muitos dos seus valores espirituais mais profundos a crenças, práticas e lugares sagrados e a tradições ligadas a terras que agora estão dentro dos parques nacionais. Os hopis e outras tribos do Planalto do Colorado fazem peregrinações ao Parque Nacional de Mesa Verde para realizar rituais nas moradias dos penhascos dos anasazis, seus misteriosos ancestrais. Os cheroquis vêem as Grandes Montanhas Fumegantes da Carolina do Norte e do Tennessee como sua terra ancestral e consideram os cumes arredondados, tais como a montanha Cúpula de Clingman, como locais de refúgio e cura, e fontes de rios que dão vida. Os havaianos nativos reverenciam a lava e a vegetação do Vulcão Kilauea, no Parque Nacional dos Vulcões no Havaí, como o território e o corpo sagrados de Pele, a deusa dos vulcões, que traz vida e fertilidade por meio de sua energia flamejante. Os pés-negros, os lakotas e outros índios americanos dos planaltos fazem danças do sol e saem em busca de visões em sítios cerimoniais dentro dos parques nacionais como o das Geleiras (Montana) e o Badlands (Dakota do Sul). Em deferência ao nome tradicional koyukon para o pico mais alto dos Estados Unidos, o Serviço Nacional de Parques trocou o nome do Parque Nacional Monte McKinley no Alasca para Parque Nacional e Reserva de Denali (Denali significa "O Maior de Todos"). O Parque Nacional da Samoa Americana ajuda a proteger os costumes, as crenças e as tradições de Samoa, a "terra sagrada" do povo samoano.
Por fim, os parques nacionais são de grande importância e atração para pessoas de todas as culturas, nos Estados Unidos e no mundo inteiro. Os nipo-americanos que vivem no Noroeste do Pacífico, por exemplo, referem-se ao Monte Rainier como o "Monte Fuji de Tacoma", ligando a montanha ao vulcão sagrado que é o símbolo do Japão, sua terra natal. Os afro-americanos podem sentir grande orgulho pelos Soldados de Búfalo, soldados afro-americanos do Exército dos EUA que ajudaram a defender e proteger o Yosemite, o Sequóia e outros parques nacionais no seu início. Pessoas do mundo inteiro vêm visitar os parques nacionais dos Estados Unidos para se informar sobre a criação de santuários semelhantes em seus próprios países. A "melhor idéia" dos Estados Unidos tornou-se modelo para proteção de lugares especiais em toda a Terra e importante contribuição para a cultura mundial
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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