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Guardiões dos Monumentos Antigos

Charlene Porter

National Parks

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
O Significado Espiritual e Cultural dos Parques Nacionais
A Própria História dos Estados Unidos
As Jóias da Coroa: Galeria de fotografias sobre os parques nacionais americanos
Cenário e Ciência nos Parques Nacionais dos EUA
Parques Podem Mudar uma Nação
Oh, Ranger: Fazer Algo de Duradouro
Parques dos EUA: Cronologia
Lugares Especiais Unindo Todos os Americanos
Quando um Parque Não É um Parque
Guardas-Florestais e Guias Suíços
Oh, Ranger: O Apelo das Rochas
Clima de Mudança
Expulsando os Invasores
Oh, Ranger: O Local de Trabalho Mais Lindo do Mundo
Guardiões dos Monumentos Antigos
Patrimônio de Toda a Humanidade
Oh, Ranger: Nos Degraus onde Esteve Martin Luther King
Recursos Adicionais
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Visitors to Mesa Verde National Park in Colorado walk through cliff dwellings built by the Ancestral Puebloans in the late 12th and 13th centuries. Four thousand archeological sites in the park provide evidence of 700 years of occupation by the prehistoric peoples of North America. Mesa Verde is also one of the U.S. sites recognized by the World Heritage Convention. Visitantes do Parque Nacional Mesa Verde no Colorado caminham entre as habitações construídas nos penhascos pelos habitantes do Pueblo Ancestral no final dos séculos 12 e 13. Quatro mil sítios arqueológicos no parque fornecem evidências de 700 anos de ocupação pelos povos pré-históricos da América do Norte. O Mesa Verde também é um dos sítios dos EUA reconhecido pela Convenção do Patrimônio Mundial (Nancy Richmond, Durango Herald/© AP Images)

O Serviço Nacional de Parques trabalha para preservar os monumentos antigos, apresentá-los ao público e compartilhar conhecimento dessas atividades com outras nações.

Charlene Porter é editora-gerente deste número da revista eJournal USA.

Paisagens naturais magníficas são a marca registrada dos parques nacionais dos Estados Unidos, mas milhares de sítios pré-históricos também fazem parte dos quase 34 milhões de hectares do sistema, vestígios da vida dos povos que ocuparam a terra muito antes de os colonizadores europeus proclamarem a descoberta de um Novo Mundo e fundarem uma nação.

O Serviço Nacional de Parques (NPS) valoriza artefatos e arquitetura antigos criados pelos ancestrais das atuais tribos indígenas americanas tanto quanto as vistas arrebatadoras criadas pela natureza e os sítios históricos onde os fundadores dos Estados Unidos elaboraram um plano para transformar uma colônia em nação.

Em 1906, o Congresso americano aprovou uma política nacional para preservar os sítios arqueológicos para o futuro. Na realidade, a Lei das Antiguidades (Antiquities Act), como é conhecida, precede a lei de 1916 que consolidou a gestão de parques, monumentos e outros locais sob a alçada do Serviço Nacional de Parques. Segundo Francis P. McManamon, arqueólogo-chefe do NPS, a Lei das Antiguidades transformou em lei a idéia de que "recursos arqueológicos e sítios históricos deveriam ser protegidos, e não deveriam ser explorados com fins monetários, por caprichos pessoais ou porque uma outra coisa deveria ser construída no local onde eles existiram".

A motivação para aprovar essa lei começou a se desenvolver algumas décadas antes de sua aprovação, quando colonos começaram a se mudar para o sudoeste dos EUA. Habitações de adobe e aldeias construídas pelos índios americanos centenas de anos antes pontilhavam a paisagem. Essas estruturas eram vistas por alguns como grandes artefatos das civilizações mais antigas, mas como pedreiras de materiais usáveis ou vendáveis por outros.

No início do século 20, a memória das Guerras Indígenas entre o governo colonial ou federal e os povos indígenas da América do Norte era muito viva e os índios americanos sofriam discriminação rotineiramente. A coincidência desses fatos com a aprovação da Lei das Antiguidades é "impressionante", declarou McManamon em entrevista à eJournal USA.

"Ao mesmo tempo que havia esforços para preservar essas ruínas e monumentos antigos, os descendentes do povo que os criaram estavam sendo sistematicamente destituídos dos resquícios dessa cultura", acrescentou McManamon. As políticas governamentais para retirar grupos tribais de terras tradicionais e expurgar a herança indígena da educação das crianças eram comuns naquele tempo.

Arqueologia nos parques

Hoje, o Serviço Nacional de Parques tem cerca de 70 mil sítios arqueológicos registrados nas áreas de monumentos e parques que administra, e McManamon calcula haver dezenas, até mesmo centenas, de outros milhares de sítios distintos esperando para serem descobertos. A preservação de sítios com centenas ou milhares de anos é desafiadora por si só, mas o NPS deve também permanecer atento à sua missão de permitir ao público ver, compreender e apreciar os sítios.

No caso de vilarejos em penhascos e estruturas de aldeias, McManamon disse que "temos de estabilizar algumas das paredes de pedras ou tijolos de adobe para que a composição original não seja danificada" à medida que visitantes excursionem pelos sítios. Para fazer isso, os preservacionistas têm de fazer argamassa à base de terra, semelhante aos materiais que os construtores usaram originalmente, e reboco para proteger as ruínas das construções originais de adobe.

Casa Grande Ruins became the United States' first archeological reserve in 1892. Built about 700 years ago by the Hohokam Indians, it is among the largest prehistoric structures ever built in North America. A protective shelter was erected over the ruin in the 1930s.
As Ruínas da Casa Grande tornaram-se a primeira reserva arqueológica dos Estados Unidos em 1892. Construídas há cerca de 700 anos pelos índios hohokam, estão entre as maiores estruturas pré-históricas já construídas na América do Norte. Um abrigo de proteção foi construído sobre as ruínas na década de 1930 (Paul Connors/© AP Images)

O desafio é compartilhado por especialistas em conservação arquitetônica que trabalham com monumentos, construções e estátuas em diversos lugares. McManamon e seus colegas arqueólogos do NPS Terry Childs e Barbara Little fizeram novas descobertas sobre os problemas compartilhados de sua profissão em 2007, quando um grupo de diretores dos monumentos afegãos visitou os Estados Unidos para observar as práticas da agência na gestão de parques e sítios arqueológicos e históricos.

Como muitos monumentos e tesouros históricos dos Estados Unidos, os monumentos no Afeganistão podem ser feitos de arenito, granito ou adobe. McManamon disse que os zeladores dos monumentos afegãos estavam ansiosos para discutir técnicas de ciência de materiais envolvidas na escolha da substância adequada para uso em estabilização de monumentos.

O arqueólogo-chefe do NPS também espera que o intercâmbio de informações ajude os diretores dos monumentos do Afeganistão a evitar alguns dos erros cometidos nos Estados Unidos durante anos. "Estamos retirando argamassa inadequada usada em alguns dos projetos anteriores de estabilização no início do século 20. Estamos substituindo-a por argamassa à base de terra que é mais macia e ajuda a preservar os tijolos originais de adobe", afirmou McManamon. "Essa é uma área onde nossos colegas do Afeganistão estavam no mesmo nível de aprendizagem e de interesse de algumas de nossas equipes de campo."

Educação da comunidade

Os afegãos visitaram sítios históricos em Washington e passaram oito semanas nas unidades do NPS no sudoeste em um programa de capacitação patrocinado pelo Centro de Patrimônio Cultural do Departamento de Estado dos EUA. Como parte de uma iniciativa para apoiar a preservação cultural no Afeganistão, o programa de capacitação de 2007 também orientou os visitantes sobre relações com a comunidade e a educação pública.

Com cerca de 400 parques, monumentos e sítios do NPS localizados em comunidades completamente diversas em todo o país, as autoridades da agência aprenderam  com a experiência que desenvolver relações estreitas e de cooperação entre as autoridades dos parques e da comunidade é um componente importante na gestão de sítios históricos.

A educação é outro elemento desse relacionamento e também é política-padrão das autoridades dos parques trabalhar diretamente com suas comunidades para trazer para suas instalações crianças em idade escolar e outros grupos interessados. Isso foi "uma espécie de revelação" para os visitantes afegãos, disse McManamon.

"Eles acharam sensacional que durante sua visita grupos de estudantes tenham chegado em viagens de campo com um guarda-florestal guiando-os pelos pátios de Tumacácori [sítio de missão espanhola no Arizona fundada no fim do século 17]", acrescentou McManamon. Um dos visitantes afegãos manifestou intenção de introduzir programas de educação semelhantes no Vale de Bamiyan. Embora o Taleban tenha destruído duas estátuas enormes de Buda em 2001, o Vale de Bamiyan continua sendo um sítio cultural internacionalmente reconhecido ainda com evidências de seu papel como marco na Estrada da Seda no norte do Afeganistão.

Sítios históricos, do Afeganistão ao Arizona, são uma ferramenta crucial na criação de uma compreensão de vidas e culturas passadas em toda geração sucessiva, segundo McManamon. Se os jovens tiverem uma experiência pessoal com os lugares, as construções e os artefatos reais de vidas e eventos passados, eles "compreenderão e apreciarão de maneira mais intensa" o passado.

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