Clima de MudançaJeff Rennicke
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As geleiras que dão nome ao Parque Nacional das Geleiras estão com um terço do tamanho que tinham há mais de cem anos, de acordo com pesquisa realizada pelo Serviço Geológico dos EUA. A pradaria de água doce de Everglades está ameaçada pela invasão de água salgada da Baía da Flórida. A mudança do clima é uma realidade para o Sistema Nacional de Parques, e medidas abrangentes para reduzir as emissões de carbono estão começando. Jeff Rennicke é professor na Conserve School em North Woods, Wisconsin. Uma versão ampliada deste artigo foi publicada originalmente na edição do quarto trimestre de 2007 da National Parks, publicação da Associação de Conservação dos Parques Nacionais, organização privada, sem fins lucrativos, dedicada à proteção e à melhoria dos parques nos Estados Unidos.
Um dos resultados dessa urgência foi a criação do programa de Parques para o Benefício do Clima (CFP), esforço cooperado da Agência de Proteção Ambiental dos EUA e do Serviço Nacional de Parques. Iniciado em 2003, o CFP possui uma tríade de objetivos: treinar as equipes de funcionários dos parques na questão da mudança climática; ajudar os parques a avaliar, monitorar e diminuir as próprias pegadas ambientais; e mostrar aos visitantes como as mudanças climáticas podem afetar os parques e dar exemplos de como participar das soluções. Os parques são solicitados a ministrar workshops do CFP, desenvolver planos de ação e monitorar e avaliar continuamente seu progresso para tornarem-se Parques para o Benefício do Clima. Até o presente, dez parques nacionais, incluindo Delaware Water Gap, Everglades, Baía das Geleiras, Yosemite e Zion, já realizaram workshops e outros estão em planejamento. É uma nova visão para os nossos parques, diz Shawn Norton, um dos coordenadores do programa. E, quando solicitado a descrever o Parque para o Benefício do Clima perfeito, fala com entusiasmo visionário. "Um Parque para o Benefício do Clima perfeito é, antes de tudo, carbono neutro e não libera emissões na atmosfera", diz Norton. Ao chegar, o visitante recebe informações sobre práticas sustentáveis, um mapa das trilhas e um ingresso para o parque. Ao invés da confusão de muitos carros poluentes, particulares, espremendo-se nas poucas vagas de estacionamento, o visitante embarca em um sistema de ônibus movidos a energia alternativa que o leva de modo rápido, tranqüilo e limpo a qualquer lugar do parque que queira visitar. O centro de visitantes, que fica quase invisível, confundindo-se com o cenário de fundo por causa da arquitetura e da paisagem naturais incluindo um "telhado verde" de plantas nativas é uma instalação de energia limpa que aproveita energias solar, eólica ou geotérmica, tecnologia LED e iluminação natural. Os alimentos vendidos na lanchonete são orgânicos e cultivados no local. Os trabalhos artísticos à venda na loja de presentes são feitos de materiais recicláveis, como vidro e alumínio. Os banheiros são providos de vasos sanitários de baixo consumo e torneiras com fechamento automático para economizar água, e a limpeza é feita com produtos não tóxicos. Os veículos de patrulha dos guardas-florestais não emitem poluentes nocivos. Os prédios remotos são providos de painéis fotovoltaicos para suprir suas próprias necessidades energéticas. E sinais interpretativos explicam tudo isso aos visitantes do parque, com dicas sobre como diminuir as próprias pegadas ecológicas no parque e em casa. Essa visão não é apenas um devaneio futurístico. "Não estamos tão longe de transformar grande parte disso em realidade", diz Norton. "Podemos reduzir nosso uso de energia substancialmente. Podemos reduzir drasticamente nossas emissões. Podemos reduzir nosso consumo de água de forma substancial usando as tecnologias atuais e, se o fizermos de modo agressivo, poderemos conseguir isso em praticamente todos os parques dentro de dez anos. Estamos apenas começando, mas outros parques estão seguindo o mesmo caminho todos os dias." Um desses parques é o Zion, em Utah. Em 2000, um sistema de ônibus do parque substituiu 5 mil veículos particulares por dia por 30 ônibus movidos a gás propano, eliminando a emissão de quase 14 mil toneladas de gases de efeito estufa que cobririam o céu sobre o parque durante um ano. Um novo centro de visitantes "verde" utiliza energia solar para 30% da sua eletricidade, aproveita a luz natural para suprir 80% de suas necessidades de iluminação e conta com grandes torres de resfriamento que fornecem ar condicionado de baixo consumo no verão e um sistema de aquecimento solar passivo com parede Trombe (parede voltada para o sol feita com materiais que absorvem calor, tais como adobe ou pedra) para retenção de calor em dias mais frios. Considerada modelo para a construção de parques nacionais, a nova instalação reduz o consumo de energia em cerca de 75% e elimina mais de 136 toneladas de emissões de gases de efeito estufa todo ano. Menos visível é o aumento do uso de materiais de construção ecologicamente corretos e de suprimentos de limpeza não tóxicos, bem como o aumento drástico nos esforços de reciclagem dentro do parque. "A iniciativa dos Parques para o Benefício do Clima nos permitiu tratar da gestão ambiental e da mudança climática ao mesmo tempo que identificamos áreas de prioridade para o nosso sistema de gestão ambiental", diz Jock Whitworth, superintendente do parque Zion. "Agora temos uma idéia melhor dos impactos da mudança climática nos recursos naturais e culturais do parque e podemos identificar possíveis soluções." A mudança está chegando aos nossos parques nacionais, isso está bem claro. Exatamente como vai se dar essa mudança, e como as equipes dos parques, os visitantes e os próprios parques vão se adaptar a essa nova realidade é algo que não está tão claro. Mas como aponta o superintendente do parque Apostle Island, Bob Krumenaker: "Nós, no Serviço Nacional de Parques, estamos no negócio da perpetuidade. Sejam quais forem as mudanças climáticas, nossos parques permanecerão. Face à mudança climática global, nossos parques podem assumir importância ainda maior como alguns dos lugares mais prístinos, intocados e ecologicamente significativos que restarão no planeta."
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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