Parques Podem Mudar uma Nação
Alvaro Ugalde
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Vi de perto o Sistema Nacional de Parques dos EUA durante vários meses em 1969, quando fui convidado para participar do Seminário Internacional sobre Parques Nacionais e Reservas Equivalentes, programa que permitiu a mim e a 25 outras pessoas do mundo todo visitar vários parques dos Estados Unidos. Conhecemos guardas-florestais, biólogos e concessionários toda sorte de pessoas que participam do sistema americano. Não estava nos meus planos fazer carreira no serviço de parques, pois isso não existia na Costa Rica. Mas, quando voltei para casa, o Congresso costa-riquenho tinha aprovado uma lei determinando a criação de um sistema de parques. Assim, fui voluntário durante seis meses na fase de criação desse sistema e depois fui contratado em 1970 como o segundo funcionário do serviço de parques. Meu colega Mario Boza, primeiro funcionário do nosso sistema de parques, também participou da viagem de estudos patrocinada pelo Serviço Nacional de Parques dos EUA, que nos deu a idéia para um sistema de manejo e operação de parques, recepção de visitantes e preservação da terra e da natureza. Sempre penso no sistema americano como a janela pela qual vislumbramos o cenário maior. Como biólogos, sabíamos que a proteção da biodiversidade do nosso país deveria ser o objetivo principal de nossos parques. Nosso pequeno país apenas um terço de 1% da massa de terra do mundo abriga 5% de todas as espécies do planeta. Naquela época o termo biodiversidade nem era usado, mas as inúmeras formas de vida tropical do nosso país vinham sendo estudadas há décadas. Meus professores na Universidade da Costa Rica eram pessoas esclarecidas que nos transmitiram noções de ecologia e evolução. Ao mesmo tempo, porém, víamos o país se desenvolver muito, muito, muito rapidamente.
Preservação da Costa Rica Essa foi a nossa inspiração quando começamos a convencer os costa-riquenhos do que era preciso fazer para criar esses parques e preservar aquilo que era único do nosso país. Dizíamos às pessoas que precisávamos manter a Costa Rica como Costa Rica, que um país devastado, sem florestas nem vida selvagem, não era a Costa Rica. Criar parques e reservas era o que deveríamos fazer para deixar alguma coisa para o futuro, para nossos filhos, pois assim elas saberiam o que o país realmente era. Não foi difícil disseminar essa mensagem por toda a nação. Â Que o turismo, como benefício adicional, surgiria desse esforço como um motivo secundário. A história da Costa Rica poderia ser dividida entre antes e depois dos parques. O país mudou completamente poucos anos depois do surgimento dos parques. Atualmente, não existe um costa-riquenho sequer que não tenha conhecimentos sobre conservação e sobre a riqueza natural do país, e são poucos os que não se beneficiam dos esforços de conservação. Mudamos o curso da nação e a economia do país com a construção de parques e reservas. Temos um novo paradigma de desenvolvimento, um país diferente do que tínhamos há 40 anos. Antes de 1970, não havia áreas protegidas, e a maioria dos lugares naturais estava sob pressão da mineração, da caça e da extração de madeira, principalmente em locais como a Península de Osa, o lugar mais lindo do universo! É assim que me refiro a esse local, porque ele é inacreditavelmente belo e tem uma enorme biodiversidade. Desde que começamos a tentar salvar Osa, despertamos a atenção do mundo. Agora, as pessoas vêm aqui para ver Osa, e sua economia não tem mais nada a ver com mineração e extração de madeira. Tudo gira em torno da natureza. Hoje, à medida que o sistema amadurece na Costa Rica, ainda temos problemas. Dentro dos parques, a caça é um problema e, às vezes, temos incêndios florestais. Mas o maior problema está fora dos parques. Quando o desenvolvimento se dá de forma descontrolada em um vilarejo próximo, vemos os efeitos da falta de governança, da falta de controle e da falta de coordenação entre ministérios e outros órgãos públicos. A situação piora com muitos edifícios, poluição da água e falta de tratamento de esgotos. Essas coisas estão ocorrendo muito perto de alguns dos parques e, portanto, esse é um dos nossos principais problemas atualmente, além dos avultantes efeitos negativos da mudança climática.
Para salvar o planeta Naquela época não sabíamos que o planeta estava em perigo. Agora, não somos mais desinformados. O comportamento coletivo da humanidade provocou uma fonte coletiva de ameaças ao planeta: aquecimento global, deterioração da biosfera, desaparecimento de espécies e derretimento dos pólos, entre outros indicadores. No meu país, as enchentes são mais freqüentes e os períodos de seca, mais longos. As mudanças climáticas estão criando zonas mais secas e, com isso, algumas espécies de ecossistemas de terras baixas estão subindo para as montanhas. Os tucanos estão vivendo em lugares onde antes não existiam; e o mesmo ocorre com as formigas. Essas mudanças se espalham pela teia da vida. Tentamos proteger nossa biodiversidade nos parques, mas o impacto está em todo o país. Na Costa Rica, muito foi feito para isolar as áreas protegidas, mas elas ainda são apenas ilhas circundadas de problemas ambientais maiores. Não podemos mais adiar nossa atenção a essas ameaças ao planeta; não podemos nos dar a esse luxo. Adiar uma ação contra o aquecimento global significaria que não nos importamos com o tipo de planeta nem com as condições de vida que deixaremos para os nossos filhos. Mas, como um otimista, acredito firmemente que se todos nós fizermos alguma coisa indivíduos, famílias, comunidades e governos , e se começarmos agora, o planeta responderá aos nossos cuidados e nós prevaleceremos. A Fundação Floresta Tropical Oxigênio para a Vida (O2 For Life Rainforest Foundation) forneceu material de referência para este artigo. A Fundação se dedica à conservação e à proteção da natureza tropical e protege 500 acres (mais de 200 hectares) na região de Osa.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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