De Espectadora a Campeã:
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A participação das mulheres nos Jogos Olímpicos percorreu um longo caminho desde que foram impedidas pelos gregos de participar das Olimpíadas. Nos Jogos Olímpicos de 1900, em Paris, França, as francesas Filleaul Brohy e Marie Ohnier competiram em provas de croqué e se tornaram as primeiras mulheres a disputar um evento olímpico. No mesmo ano, a tenista Charlotte Cooper, da Grã-Bretanha, tornou-se a primeira campeã feminina. Um século depois, durante os Jogos de Verão de 2004 em Atenas, berço das Olimpíadas, competiram 4.329 mulheres, respondendo por 40,7% do número total de atletas e estabelecendo um recorde de participação olímpica feminina. Mas essa participação feminina nos Jogos vai além do atletismo, e uma reflexão histórica dos papéis desempenhados por mulheres nas Olimpíadas mostra uma linha de evolução na qual elas passam de espectadoras a campeãs e administradoras influentes. A Carta Olímpica tem como objetivo “estimular e apoiar a promoção da mulher no esporte em todos os níveis e em todas as estruturas com a intenção de implementar o princípio da igualdade de homens e mulheres”. O movimento olímpico apresenta uma importante aliança de organizações para essa tarefa: o Comitê Olímpico Internacional (COI); os Comitês Olímpicos Nacionais (CONs), compostos de representantes dos Estados participantes; e as Federações Internacionais (FIs), organizações não-governamentais que regem os esportes em nível mundial. Em conseqüência, os COI, os CONs e as FIs estabeleceram metas para que as mulheres galguem posições de comando e liderança no universo olímpico. Atualmente, entre 155 membros do COI, 15 são mulheres, em comparação com apenas 12 em 2005. Em março de 2008, durante a 4a Conferência Mundial do COI sobre a Mulher e o Esporte, realizada na Jordânia, 600 membros homens e mulheres do Movimento Olímpico se reuniram para discutir vários assuntos, como novas oportunidades para aumentar a participação de mulheres no esporte, mulheres atletas como exemplos para jovens do sexo feminino e o modo como a cultura determina o acesso da mulher ao esporte. Um dos resultados dessa conferência foi o chamado Plano de Ação do Mar Morto, que estuda formas de “aproveitar todas as oportunidades disponíveis no Movimento Olímpico para fazer avançar a causa das mulheres no esporte e por meio do esporte”, inclusive enfatizando a igualdade de gênero em equipes nacionais, sua liderança, sua atuação técnica, além de estimular jornalistas esportivas a cobrir ativamente os Jogos. Na prática, as mulheres trabalham para encorajar a participação esportiva em seus países natais. Uma atleta, Datuk Seri Azalina Othman Said, a primeira e mais jovem ministra da Juventude e dos Esportes da Malásia, foi reconhecida pelo COI, entre outras coisas, por seu trabalho na criação de cerca de 600 centros comunitários que possibilitaram a participação de quase 100 mil mulheres em atividades esportivas. No nível mais básico, toda mulher que aspira ser atleta tem o papel de assegurar a igualdade nas Olimpíadas. Em um podcast disponível no site do COI, Barbara Kendall, membro do COI e campeã olímpica de windsurfe, tem uma mensagem para as meninas de todo o mundo: “Se vocês querem realmente fazer algo, sempre encontrarão um caminho. Sigam seus sonhos, sem os quais nenhuma história é possível.” Alexandra Abboud | |||