O Público nos LevantouBart Conner
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O ginasta Bart Conner ganhou vagas nas equipes olímpicas dos EUA em 1976, 1980 e 1984. Ele conquistou duas medalhas em 1984: uma individual nas barras paralelas e uma coletiva, competindo por equipe. Quando eu tinha nove ou dez anos, eu conseguia fazer uma parada de cabeça por cinco minutos e também encostar os pés na parede para fazer uma parada de mão. Se eu quisesse ir da sala para o meu quarto, o desafio era ver se conseguia fazer isso andando com as mãos. Havia também os 13 degraus de madeira para o porão. A maioria dos pais diria: “Meu Deus, você vai quebrar o pescoço!” Minha mãe não ficava lá muito contente quando eu tentava isso, mas ela sabia que era uma coisa que me deixava empolgado, então dizia: “Não esqueça de colocar um monte de colchões e travesseiros na base da escada para o caso de você despencar.” Então fazíamos isso, e eu treinava descer a escada andando com as mãos. Na escola, quando fazíamos ginástica na aula de educação física, o professor, um sujeito chamado Les Lange, dizia: “Você é mesmo bom nisso. Quer saber mais sobre ginástica?" Então, ele me levou até a escola de ensino médio onde havia um programa muito bom. Fomos para o ginásio, que eu achei muito legal. Havia argolas, barras, camas elásticas, coisas de onde balançar e pular. O sr. Lange me ergueu até as barras paralelas. Balancei-me algumas vezes e fiquei de ponta-cabeça na primeira vez que subi nas barras paralelas. Para mim, parecia muito menos perigoso do que descer as escadas andando com as mãos. Esse foi o momento revelador para mim, quando percebi “quero ser um ginasta”. Eu era pequeno e era forte. Podia andar sobre as mãos. Podia dar uma cambalhota para trás no pátio. Isso me dava confiança, porque eu podia realizar truques estilosos que meus amigos não conseguiam fazer. Quando passei para a oitava série, antes de entrar no ensino médio, já era o Campeão Nacional Olímpico Junior. Eu tinha 14 anos. Tive muitas oportunidades internacionais. Meu primeiro encontro foi em Montreal em 1975, quando tinha 17 anos. Estava recebendo muitos benefícios divertidos com a ginástica. Com 18 anos, cheguei à equipe olímpica de 1976. Nossa equipe obteve o sétimo lugar, e eu fiquei em 46o lugar na contagem geral. Mas em 1979 fui campeão mundial. Em 1980, eu estava selecionado para os Jogos Olímpicos de Moscou, mas esses foram os jogos que os Estados Unidos boicotaram [em resposta à invasão do Afeganistão pela União Soviética].
Minha última olimpíada foi a de 1984, em Los Angeles. Eu estava, então, com 26 anos — o que é velho para um ginasta masculino. Sete meses antes, em um encontro internacional no Japão, rompi meu bíceps competindo nas argolas. Pulei das argolas e me descobri imediatamente pensando: “Este é um momento decisivo em minha carreira. Pode me tirar das Olimpíadas. Posso estar acabado agora mesmo.” Lá estava eu em idade avançada, e uma lesão grave quando já se tem uma certa idade em geral significa “fim de jogo”. Uma estranha sensação se apossou de mim e pensei: “Eu vou fazer parte dessa equipe olímpica em 1984.Vou entrar marchando naquele estádio.” Visualizei-me entrando no estádio, acenando para a multidão, e podia ouvir o apresentador esportivo anunciando: “Atenção, pessoal, aí vem a equipe masculina americana. Sete meses atrás jamais teria acreditado nisso, mas adivinhem o quê? Bart Conner está na equipe.” Planejei isso mentalmente. Lá estava eu com uma bolsa de gelo no braço, tentando chegar ao aeroporto de Tóquio para voltar aos Estados Unidos e me submeter a uma cirurgia, e já visualizava como queria que essa cena terminasse. Portanto, quando realmente entrei marchando na cerimônia de abertura em 1984, estava muito emocionado. Havia vários motivos pelos quais eu não deveria estar lá, mas estava. Lembro nitidamente de entrar andando no Coliseu de Los Angeles. Havia, sei lá, 80 mil ou 90 mil pessoas, um mar de gente. Marchamos para dentro do estádio para ouvir o barulho ensurdecedor da multidão. Eu andava junto ao meu colega de equipe Jim Hartung, que era um dos meus rivais desde quando tínhamos 10 anos de idade. Eu disse a ele: “Não seria legal descobrir onde estão nossos pais?” E ele disse: “Ei, olhe, lá está sua mãe.” Havia um setor de pais dos jogadores olímpicos dos EUA, e Jim notou um grupo de pessoas agitando bandeiras americanas, e ele viu minha mãe. Lembro de uma sensação de tranqüilidade quando vimos nossos pais. Depois de todos esses anos de trabalho, estávamos apreciando o momento de apenas estar ali. Eu não sabia o que iria acontecer nas próximas duas semanas, mas eu tinha conseguido. Compartilhar aquele momento, aquele exato momento, com minha família foi uma coisa muito forte. Eles acenavam para mim, eu para eles, e aí veio aquela sensação: “Olha o que fizemos juntos.” O sentimento de orgulho era enorme. Entramos para o encontro e sentimos um tremendo apoio. Era como se o público nos levantasse, como se não pudéssemos fazer nada errado. Na ginástica, quando você fecha uma atuação pontuando, você “crava” a aterrissagem, normal ou com acrobacia. Nós estávamos cravando só com acrobacias, à direita e à esquerda, além do que achávamos possível fazer. Há pouco vi um vídeo sobre esse evento. Eu havia feito uma aterrissagem da barra com acrobacia, e a executei completamente. Olhei para cima, e a câmera captou esse olhar em meu rosto, que dizia: “Nossa! Dá pra acreditar nisso? Eu raramente cravo assim, e nessa hora eu executei certinho.” Nos Jogos Olímpicos acontecem muitas coisas fora do nosso controle. Para ter sorte suficiente e vencer alguma coisa, as estrelas e os planetas precisam estar alinhados, mas estar em uma olimpíada no próprio país dá uma nítida vantagem, por causa do que você recebe do público. Nós éramos arrastados por essa onda de entusiasmo e apoio do público da nossa terra.
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