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O Hino Nacional da Minha Pátria

Iztok Cop

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
Ideais Olímpicos e Realidades do Mundo
Administração de Esportes Olímpicos nos Estados Unidos
As Novidades nos Jogos de Pequim
De Espectadora a Campeã: Evolução do Papel da Mulher Olímpica
“Espírito em Movimento”
Arquitetura Olímpica: Construções mais Altas e mais Fortes
O Público nos Levantou
O Hino Nacional da Minha Pátria
Tudo o Mais Pára
Competir Sempre pelo Objetivo Maior
Perde-se Muito Antes de Chegar Lá
O Grande Clímax
Dando o Máximo
Percepção da Água
Os Competidores
Maratona Jornalística
O Maior Velocista Vira Pó
“Alguma Coisa Está Acontecendo na Vila Olímpica”
Recursos
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Iztok Cop, front, and Luka Spik of Slovenia compete at a 2004 race in Munich, Germany.
Iztok Cop, em primeiro plano, e Luka Spik, da Eslovênia, competindo em 2004 em Munique, na Alemanha (© Jamie McDonald/Getty Images)

A nação balcânica da Eslovênia separou-se da Iugoslávia em 1991. Foi a primeira das repúblicas a fazê-lo e declarou-se livre após uma guerra civil de dez dias.

Apenas um ano após a Independência, o remador Iztok Cop presenteou sua pátria recém independente com sua primeira distinção nos Jogos Olímpicos — a medalha de bronze em remo. Oito anos mais tarde, o remador esloveno levou para casa também a medalha de ouro. Cop relembra suas duas vitórias e reflete sobre como o tempo o ajudou a avaliar melhor o significado delas

Alguns meses antes das Olimpíadas, ainda não sabíamos se conseguiríamos competir pela Eslovênia ou não, se o país seria reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional como independente. Isso fez com que toda a nação ficasse muito, muito orgulhosa e emocionada. Foi um grande acontecimento ver a bandeira eslovena entre os medalhistas em Barcelona. Eu era jovem demais para compreendê-lo naquele momento, pois tinha 20 anos de idade e considerava o acontecimento mais uma vitória esportiva.

Do ponto de vista do atleta, Barcelona não foi meu melhor momento, não foi o que eu esperava. Contava com pelo menos uma medalha de prata, e o bronze foi menos do que eu esperava. Conquistar a medalha de ouro em Sydney em 2000 foi o maior sucesso. Eu buscava o ouro antes das Olimpíadas de Sydney. Estava sob muita pressão. Tinha consciência de que essa poderia ser a grande chance de minha vida e queria agarrá-la.

Depois de conseguir, eu me senti simplesmente… não consigo nem explicar… um pouco aliviado e orgulhoso. Tinha orgulho de mim, do meu país e de todos à minha volta.

O momento mais emocionante na carreira de um atleta é ouvir o hino nacional do seu país na cerimônia de premiação. É comum ver os atletas se emocionarem nas cerimônias transmitidas pela televisão ao ouvirem o hino do seu país. Eu adoraria que todas as pessoas experimentassem, uma vez na vida, a sensação de ter tido sucesso, sentir alívio por tudo que passou, ver a bandeira do seu país sendo hasteada e ouvir o hino nacional. Senti-me ainda mais orgulhoso de meu país, feliz por poder proporcionar essa vitória ao povo esloveno.

Luka Spik, left, and Iztok Cop celebrate a gold medal at the Rowing World Championships in Munich in 2007 with Cop’s daughters Amber, left, and Ruby.
Luka Spik (à esquerda) e Iztok Cop comemoram a medalha de ouro no Campeonato Mundial de Remo em Munique em 2007 com as filhas de Cop, Amber (à esquerda) e Ruby (© JOERG KOCH/AFP/Getty Images)

Irei às Olimpíadas pela quinta vez em 2008. Estou fazendo de tudo para vencer em Pequim porque é hora de começar a fazer outras coisas em minha vida. Não é fácil admitir que preciso me aposentar. Acho que é por isso que gosto de remar ainda mais do que antes. Tenho consciência de que minha carreira está chegando ao fim e estou mais concentrado em tudo. Meu corpo já não tem a mesma habilidade de 10 ou 15 anos atrás. Tenho de ter muita cautela no treino porque o corpo não se recupera como antes.

E agora que tenho uma família, remar não é a única coisa em minha vida. Então valorizo e respeito os momentos que passo no barco.

Nos últimos dez anos, o que mais tem me dado prazer é estar com meus adversários. Fora da água somos realmente grandes amigos; quando competimos, sabemos o que fazer e tentamos vencer um ao outro. Quando se trata de um amigo seu, ganhar se torna ainda mais importante. É um ambiente tão agradável, um ambiente saudável, sem falsidades. Quando você é o primeiro na linha de chegada, não importa se as pessoas gostam de você ou não, se você é bonito ou feio, você ainda é o mais rápido, e é disso que eu gosto. Sem julgamentos subjetivos.

Às vezes me pedem para dar palestras a jovens. Eu lhes digo que precisam curtir o esporte, e não entrar com o objetivo de tornarem-se campeões olímpicos. Têm de ir passo a passo. Mas o principal que lhes digo é que se tiverem prazer enquanto estiverem praticando o esporte, esse será um tempo bem gasto, ainda que não sejam vencedores. O esporte pode dar muito mais do que medalhas, por exemplo, hábitos de trabalho. Sem dor não há vitória, dizem. Se não se esforçar, não vencerá. Acostuma-se a ganhar, a perder e a aprender algo com a derrota e não ficar totalmente deprimido quando as coisas não acontecem da forma desejada. Aprende-se a respeitar o adversário e também a diferença entre trabalho e diversão.

Eu só espero poder seguir praticando esporte, como recreação, que eu possa remar algumas vezes na semana. Simplesmente não consigo me imaginar vivendo sem praticar esporte ou exercício físico no futuro. Só espero não gostar de ficar gordo e preguiçoso

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