Percepção da ÁguaJanet Evans
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Com cinco medalhas olímpicas em sua estante de troféus, a nadadora americana Janet Evans teve uma carreira olímpica extraordinária. Com apenas 17 anos, conquistou três medalhas de ouro no Jogos Olímpicos de Seul em 1988, depois em 1992, em Barcelona, mais uma de ouro e outra de prata. Mas quando Evans relembra sua carreira de nadadora, as Olimpíadas e o que ela aprendeu ao longo dessa trajetória, as medalhas não são o mais importante. Quando comecei a nadar competitivamente, não era tão alta quanto a maioria das outras crianças, então as pessoas estavam sempre dizendo que eu era muito pequena para ser uma nadadora realmente competitiva. Na minha cabeça, isso não fazia nenhum sentido. Eu sabia que tinha as habilidades, tinha o desejo e eu apenas achava que podia fazer com que acontecesse. Quando bem jovem, não me importava muito com o que as pessoas diziam ou pensavam sobre mim porque eu sabia do que era capaz. Assim, tive de enfrentar sempre as dúvidas das pessoas em relação a mim, como competidora jovem quando tinha 10, 11, 12, o tempo todo. Em qualquer lugar que eu fosse, sempre competia contra garotas que eram maiores do que eu. Mas eu tinha muita disciplina. Eu tinha grande apoio familiar. Tinha grandes técnicos. Tinha uma braçada excepcional. Eu tinha uma grande percepção da água. Acima de tudo, eu realmente me esforçava. Nos meus primeiros Jogos Olímpicos em 1988, eu tinha 17 anos e 1,5m de altura. Nadava contra mulheres da Alemanha Oriental que mediam, em média, 1,75m. Além do problema da altura em meu nado, o que aprendi com meus fracassos tive vários fracassos ao longo do caminho, também e com meus sucessos era que podia fazer qualquer coisa que decidisse.
Assim, essa atitude me acompanhou nas minhas duas primeiras Olimpíadas, em 1988 e 1992. Achava que se eu não fosse às Olimpíadas para ganhar, então era um fracasso. Em 1988, ganhei três ouros. Em 1992, ganhei um ouro e uma prata, mas fiquei muito decepcionada com minha medalha de prata. Naquela época, para mim as Olimpíadas significavam ganhar. Quando chegou 1996 com os Jogos programados para os Estados Unidos, em Atlanta, Geórgia, me deparei com a única chance da minha carreira olímpica de nadar pelo meu país, em meu país. Tinha 24 anos e naquela época era considerada velha para a natação. Não estava no fim da linha, mas estava forçando os limites. Apenas fazer parte da equipe olímpica era um desafio maior para mim do que havia sido no passado. Meu técnico e meus pais disseram: “Você precisa nadar em Atlanta não para ganhar. Você precisa nadar em Atlanta para sentir as Olimpíadas, para competir em seu país, para perceber que a vida não é apenas ganhar.” Naturalmente, fui para Atlanta querendo ganhar. Quem não quer ganhar? Mas eu tinha colocado muita pressão nas minhas costas àquela altura. Quando cheguei lá, isso simplesmente não existia mais por uma série de razões. Em Atlanta, eu realmente soube que era válido não ganhar. Era válido representar meu país, fazer o melhor possível e ficar satisfeita com os resultados. E eu fiquei. Os Jogos de Atlanta foram meus melhores Jogos Olímpicos embora tenha saído sem nenhuma medalha. Vivi a coisa toda como nunca havia feito antes. Passei a tocha para Muhammad Ali; participei das cerimônias de abertura e de encerramento. Sem sombra de dúvida, os Jogos de Atlanta foram a minha melhor experiência em Olimpíadas. Ser uma atleta olímpica é uma experiência fantástica mesmo sem ganhar, e é disso que eu sentia falta anteriormente. Até 1996, eu era feliz de ser atleta olímpica, de estar competindo e representando meu país. Obviamente, eu estava mais madura com 24 anos do que quando tinha 17, então isso também contribuía. Lembro-me de estar sentada na Vila Olímpica em Atlanta e escutar cinco ou seis línguas diferentes à minha volta na sala de jantar, e eu apenas sentava lá sozinha, e dizia: “Nossa, isso é incrível.” Estou vivendo em uma comunidade há duas semanas com 10 mil atletas isso não é maravilhoso? Isso é o que realmente são os Jogos Olímpicos.
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