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Dando o Máximo

Rulon Gardner

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
Ideais Olímpicos e Realidades do Mundo
Administração de Esportes Olímpicos nos Estados Unidos
As Novidades nos Jogos de Pequim
De Espectadora a Campeã: Evolução do Papel da Mulher Olímpica
“Espírito em Movimento”
Arquitetura Olímpica: Construções mais Altas e mais Fortes
O Público nos Levantou
O Hino Nacional da Minha Pátria
Tudo o Mais Pára
Competir Sempre pelo Objetivo Maior
Perde-se Muito Antes de Chegar Lá
O Grande Clímax
Dando o Máximo
Percepção da Água
Os Competidores
Maratona Jornalística
O Maior Velocista Vira Pó
“Alguma Coisa Está Acontecendo na Vila Olímpica”
Recursos
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Rulon Gardner, left, was considered the underdog when he entered the ring against world champion Russian wrestler Alexandre Karelin, a three-time Olympic champion. Gardner took the gold medal in this 2000 contest in Sydney.
Rulon Gardner, à esquerda, era considerado perdedor quando entrou no ringue contra o campeão mundial russo de luta greco-romana Alexandre Karelin, tricampeão olímpico. Gardner conquistou a medalha de ouro nessa competição em 2000, em Sydney (© Vincenzo Pinto/Reuters/CORBIS)

O praticante de luta greco-romana Rulon Gardner cresceu em uma fazenda em Wyoming e conquistou seu lugar na história das Olimpíadas nos Jogos de Sydney, em 2000. Em uma luta chamada de “milagre no tatame”, Gardner levou ao chão seu rival peso pesado, o russo Alexander Karelin, invicto por 13 anos antes da luta com o jovem fazendeiro americano. Mas a grande vitória veio mais tarde, nos Jogos de Atenas de 2004, quando ganhou uma medalha de bronze. Comparada à de ouro de quatro anos antes, você poderia perguntar: “E daí?” Mas Gardner foi aos Jogos Olímpicos pela segunda vez após um acidente no qual seus pés ficaram congelados. Os médicos temiam que talvez não voltasse nem mesmo a andar e alertaram-no de que sua carreira olímpica podia estar no fim.

Era 14 de fevereiro de 2002. Eu e dois amigos decidimos passear de snowmobile. Queria me divertir com meus amigos, aliviar um pouco a tensão, então fomos andar de snowmobile. Eu me perdi em um lugar onde meus dois amigos não conseguiram me achar. O único modo de me salvar era seguindo o rio, o que fiz até que meu snowmobile ficou emperrado entre duas pedras grandes. Ao tentar soltar o snowmobile, escorreguei e caí no rio. Assim que caí no rio, percebi que estava realmente em má situação. Naquele dia eu estava menos preparado do que deveria estar. Casaco, luvas, chapéu, fósforos – eu não tinha nada disso. Tive de passar a noite toda lá e fazia 4o C abaixo de zero pela manhã. Passei um total de 18 horas desamparado e sozinho

Para sobreviver, sabia que minha única escolha era continuar lutando cada vez mais.

Então, após ser salvo e começar a me recuperar, levantava-me todo dia apenas com a expectativa de retornar às competições. Algumas pessoas perguntavam: “Por que você vai voltar?” Para mim, não era por causa de medalhas ou qualquer outra coisa. Significava ir lá e fazer aquilo que eu considerava mais importante em minha vida. Era lutar. Muitas pessoas duvidaram de mim e as chances de retornar à equipe eram muito, muito tênues, mas mesmo assim consegui. Estava determinado sobre o que era importante para mim e não me importava o que as outras pessoas diziam.

Eu era o mais novo entre nove filhos; então, com oito irmãos e irmãs você tem de saber quem você é, o que você quer e onde você quer chegar na vida. Você tem que se fazer especial. O único modo possível de você fazer isso é tendo determinação todos os dias.

Eu não era realmente bom lutador quando jovem. Tinha um irmão 16 meses mais velho e todo dia, até chegar ao ensino médio, ele costumava me derrotar, mas eu continuei a me esforçar e ganhei o campeonato estadual no último ano.

No meu terceiro ou último ano da faculdade disse a mim mesmo certo dia: “Há uma chance de você ir aos Jogos Olímpicos.” Então pensei sobre isso e falei a mim mesmo que tinha de dar 100% todos os dias e atingir meu potencial. Não ia me esforçar pela metade; ia fazer tudo o que eu pudesse.

Quando comecei o treinamento para a equipe olímpica, o peso pesado americano chamava-se Matt Ghaffari. Ele ficou em segundo lugar nas Olimpíadas em 1996 e, em 1998, segundo lugar na competição mundial. Ele era melhor do que eu, mas eu simplesmente levantava todos os dias e dizia a mim mesmo: “Você pode não derrotá-lo hoje ou amanhã, mas um dia você vai derrotá-lo, falando isso todos os dias.” Foi isso que me motivou a melhorar.

Eu saio e converso com os jovens atualmente e digo a eles que podem ter uma chance de ir às Olimpíadas. Eles olham para mim e dizem: “Tá bom. Você está brincando, né?” Eu apenas digo a eles como eu consegui. Tudo se resume a introjetar que você pode se tornar forte e poderoso.

Quando fui às Olimpíadas, queria representar os Estados Unidos; queria representar todas as pessoas deste país e deixá-las orgulhosas. É esse o motivo para o atleta olímpico competir. Não se resume a ganhar medalhas ou qualquer outra coisa. Significa representar seu país e amar o lugar de onde você vem.

Rulon Gardner makes frequent appearances before youth groups, as seen here at a 2006 wrestler’s workshop for athletes ranging in age from 5 to 18.
Rulon Gardner faz apresentações para grupos de jovens, como se vê aqui em um seminário sobre lutadores para atletas entre cinco a 18 anos, em 2006 (Doug Lindley/State Journal/© AP Images)

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