O Grande ClímaxBernard Lagat
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O corredor queniano Bernard Lagat deverá competir nos Jogos Olímpicos pela terceira vez em Pequim. Ele fará parte da equipe dos EUA pela primeira vez. Atual detentor do recorde americano em corrida de 1.500 metros, Lagat percorreu um longo caminho para chegar a esse ponto em sua vida e carreira atlética. Todo o sentido das Olimpíadas é reunir atletas de vários países, que se encontram e celebram a humanidade através do esporte. Mas este ano tentarei ganhar uma medalha de ouro também. Este é meu objetivo agora. Conquistei bronze em Sydney em 2000 como membro da equipe olímpica queniana e prata em Atenas competindo com o grande Hicham El Guerrouj, do Marrocos. Por isso acho que agora é hora de fazer o melhor que posso para ganhar ouro nos 1.500 metros. Possuir uma coleção com todas as três medalhas olímpicas bronze, prata e ouro — seria fantástico. Estou feliz com a idéia de correr pelos Estados Unidos por ter realizado muitos sonhos que nunca havia imaginado serem possíveis. Tenho orgulho de fazer parte da revolução que está acontecendo nos Estados Unidos, onde o atletismo está sendo reconhecido e os atletas estão ficando cada vez melhores. Participar dos Jogos Olímpicos novamente, usando o uniforme dos EUA, seria o grande clímax. Para mim seria uma oportunidade maravilhosa representar os Estados Unidos e conquistar a medalha de ouro.
A possibilidade de ter uma oportunidade pesou muito na minha decisão de me tornar cidadão americano. Eu queria me fixar nos Estados Unidos, viver como qualquer outro cidadão e ter mais oportunidades para minha família. Vim do Quênia para os Estados Unidos em 1996 para estudar na Universidade do Estado de Washington. Formei-me em 2001 em Ciência da Decisão e Sistemas de Informações Gerenciais. Estava contente em ser um estudante nos Estados Unidos, com visto de estudante. Tinha vindo aos Estados Unidos para estudar e pretendia voltar para casa. Mas então meus colegas de quarto me falaram do programa de Vistos da Diversidade [DV], que permite que pessoas de alguns países se candidatem para obter um cartão de residência permanente, o “green card”. Cerca de 50 mil candidatos são escolhidos a cada ano. Então meus colegas de quarto disseram: “Vamos nos candidatar todos.” Felizmente, eu me candidatei e recebi o pedaço de papel dizendo: “Parabéns, você foi premiado pela loteria dos Vistos da Diversidade.” Vou trazer minha família para os Estados Unidos agora. É claro que foi uma decisão difícil abrir mão de minha cidadania queniana, mas acho que foi o melhor para mim. As oportunidades para trabalhar e ganhar dinheiro nos Estados Unidos me permitem ajudar as pessoas que ficaram no meu país. Abri minha fundação em 2003 para ajudar estudantes de famílias pobres classificados entre os cinco melhores de sua classe. Esta é a base da minha fundação: os estudantes. No Quênia, você encontra crianças muito inteligentes, mas que correm o risco de serem mandadas de volta para casa porque não têm meios de arcar com os custos da escola. Minha fundação ajuda-os a pagar as mensalidades durante o ano todo. Se eu puder ajudar uma só família, se puder educar um de seus filhos, isso fará uma grande diferença para essa família. A violência que ocorreu no Quênia após as eleições de dezembro [de 2007] é motivo de grande preocupação. As crianças deveriam voltar às aulas em janeiro. Mas os distúrbios atrasaram o retorno às aulas, um mês foi perdido e o aprendizado foi prejudicado. Foi necessário apertar o passo com as lições para terminar o semestre. Foi um transtorno. Outro motivo de preocupação é a violência. O Quênia é conhecido como um país pacífico. Tem sido um modelo de paz na África. Sua economia tem tido bons resultados, mas essa violência nas eleições de repente fez com que as coisas tomassem outro rumo. Isso me afeta por causa da segurança dos meus amigos, dos cidadãos em geral e dos meus compatriotas. Minha família ainda está no Quênia, e isso me preocupa. Mas quando vemos o lado bom das coisas, acho que chegarão a uma solução e o Quênia se tornará pacífico novamente.
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