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O Maior Velocista Vira PÓ

James Mossop

Immigrants Joining the Mainstream

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
Ideais Olímpicos e Realidades do Mundo
Administração de Esportes Olímpicos nos Estados Unidos
As Novidades nos Jogos de Pequim
De Espectadora a Campeã: Evolução do Papel da Mulher Olímpica
“Espírito em Movimento”
Arquitetura Olímpica: Construções mais Altas e mais Fortes
O Público nos Levantou
O Hino Nacional da Minha Pátria
Tudo o Mais Pára
Competir Sempre pelo Objetivo Maior
Perde-se Muito Antes de Chegar Lá
O Grande Clímax
Dando o Máximo
Percepção da Água
Os Competidores
Maratona Jornalística
O Maior Velocista Vira Pó
“Alguma Coisa Está Acontecendo na Vila Olímpica”
Recursos
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James Mossop é jornalista esportivo do Telegraph em Londres, cobriu os Jogos Olímpicos oito vezes e também estará a serviço nos Jogos de Pequim. Ele recebeu o Prêmio da Imprensa Britânica de jornalista esportivo olímpico do ano por sua cobertura dos Jogos de 1992 em Barcelona.

Os Jogos de 1988 em Seul destacam-se em suas lembranças pela forma como mudaram a natureza do jornalismo esportivo e a competição olímpica.

Ancient Korean rituals and space-age technology were united to create a three-hour spectacle at the opening ceremonies of the 1988 Olympic Games in Seoul.
Rituais coreanos antigos e tecnologia da era espacial uniram-se para criar um espetáculo de três horas na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1988 em Seul (© Mark Duncan/© AP Images)

Eu me lembro das Olimpíadas de Verão de 1988 em Seul como minha chegada a uma encruzilhada cultural e tecnológica.

Os Jogos começaram com uma magnífica cerimônia de abertura coreografada que superava qualquer das anteriores. O estádio principal e suas maravilhas arquitetônicas eram impressionantes, com um teto retrátil curvo e uma série de inovações no sistema de iluminação e nos painéis de informação. Em todos os locais, os equipamentos eletrônicos e os aparelhos de contagem de tempo e medição eram ultramodernos, uma demonstração da crescente sofisticação da Coréia do Sul e de sua situação de economia de ponta em expansão.

Questões mais mundanas afetaram as pessoas cujo trabalho era transmitir os eventos da capital sul-coreana aos veículos de imprensa de outros lugares. Uma pequena e seleta parcela de profissionais da televisão, do rádio e da mídia impressa do Ocidente falava o idioma do país.

Isso fazia com que a locomoção de táxi para qualquer lugar se tornasse uma novela. Os veículos eram pequenos, todos os motoristas usavam luvas e insistiam em sorrir para você em vez de prestar atenção no trânsito.

Era especialmente aflitivo porque os motoristas coreanos nem sempre estavam conscientes da disciplina no trânsito a que estamos acostumados na Grã-Bretanha. Constantemente precisava me proteger contra uma colisão iminente. Os motoristas de táxi em Seul — e possivelmente em outros locais do país — também têm o hábito de parar nos pontos de ônibus e oferecer carona às pessoas ao longo do caminho para o seu destino.

O desafio tecnológico veio com o laptop. Pela primeira vez muitos de nós cobriram um evento como aquele com esse tipo de máquina. Alguns de nós não receberam mais do que meia hora de instruções básicas sobre o computador Tandy e fizeram as malas para os Jogos, sentindo que o lápis e o papel não eram mais as ferramentas da nossa profissão.

Na Vila da Mídia, podia-se ouvir noite adentro os gritos de frustração das pessoas que tentavam enviar suas matérias para os editores em seu país, pois os computadores recusavam-se a cooperar.

No final, parte da equipe de jornalistas britânicos enfiou os laptops na mala e voltou ao velho método de ditar as matérias para a redação do jornal. Devido à diferença de fuso horário entre a Coréia e a Grã-Bretanha, isso significava invariavelmente mais trabalho noturno.

Com eventos sendo realizados desde cedo pela manhã até tarde da noite, a maioria dos jornalistas se alimentava durante o dia na banca de macarrão instantâneo que ficava atrás do estande da imprensa. Alguns de nós lembram os eventos de Seul como os “Jogos do macarrão instantâneo”.

Apesar da alimentação, do idioma e dos desafios tecnológicos, a maior comoção nos quartos e corredores da Vila da Mídia surgiu quando as pessoas foram acordadas com a notícia, dada em primeira mão pela agência francesa AFP, de que o velocista canadense Ben Johnson havia sido reprovado no exame antidoping.

A luta por informações instantâneas foi intensa. Membros do Comitê Olímpico Internacional foram tirados da cama. As linhas telefônicas começaram a congestionar, e os laptops que poderiam ter ajudado na comunicação permaneciam inúteis.

Dois dias antes, todo mundo tinha escrito maravilhas sobre o maior velocista de todos os tempos. Johnson havia sido retratado como um atleta excepcionalmente impressionante pelos 39 passos que deu desde o tiro de largada até a linha de chegada e à medalha de ouro dos 100 metros. Tudo isso agora tinha virado pó.

Canadian sprinter Ben Johnson was surrounded by reporters at Seoul’s Kimpo Airport as he tried to leave the country. The International Olympic Committee stripped Johnson of his gold medal in the 100-meter sprint after he tested positive for steroids.
O velocista canadense Ben Johnson foi cercado por repórteres no Aeroporto de Kimpo, em Seul, ao tentar deixar o país. O Comitê Olímpico Internacional cassou a medalha de ouro de Johnson na corrida dos 100 metros depois que seu exame deu positivo para esteróides (© Lennox McLendon/© AP Images)

O herói se tornara uma farsa que alegava inocência, mas todos sabiam que ele era culpado. Condutas impróprias já haviam manchado os Jogos Olímpicos antes, é claro. Em 1976, descobriu-se que um esgrimista russo tinha um dispositivo eletrônico na arma que lhe rendia pontos ilícitos. Revendo agora esse passado, é fácil considerar a má conduta de Johnson como uma nova arena para trapacear nos esportes e o indício de que novas matérias sobre doping iriam surgir.

Johnson foi descoberto porque novas tecnologias no exame antidoping fizeram avançar a ciência de detecção de uso de drogas. Desde a desgraça de Johnson, aumentou a prevalência do uso de drogas, que foi acompanhada de perto pelos avanços tecnológicos para sua detecção. A “lista da vergonha” inclui vários nomes famosos, agora esquecidos — a corredora americana Marion Jones, a velocista americana Kelli White e o velocista inglês Dwain Chambers. Os velocistas gregos Kostas Kenteris e Katerina Thanou envergonharam seu país quando evitaram o exame em Atenas, em 2004, e abandonaram misteriosamente a competição quando os Jogos estavam para começar.

Foram descobertas 24 violações em todas as modalidades durante as Olimpíadas de 2004 em Atenas, e, certamente, outros tentarão burlar o sistema no futuro. No entanto, o pelotão de testes parece estar próximo a manter as drogas que melhoram o desempenho esportivo fora dos Jogos Olímpicos.