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Maratona Jornalística

Claudio Nogueira

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
Ideais Olímpicos e Realidades do Mundo
Administração de Esportes Olímpicos nos Estados Unidos
As Novidades nos Jogos de Pequim
De Espectadora a Campeã: Evolução do Papel da Mulher Olímpica
“Espírito em Movimento”
Arquitetura Olímpica: Construções mais Altas e mais Fortes
O Público nos Levantou
O Hino Nacional da Minha Pátria
Tudo o Mais Pára
Competir Sempre pelo Objetivo Maior
Perde-se Muito Antes de Chegar Lá
O Grande Clímax
Dando o Máximo
Percepção da Água
Os Competidores
Maratona Jornalística
O Maior Velocista Vira Pó
“Alguma Coisa Está Acontecendo na Vila Olímpica”
Recursos
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U.S. triple jumper Tiombe Hurd talks to reporters at the 2004 Olympics in Athens.
A atleta de salto triplo dos EUA Tiombe Hurd conversa com jornalistas durante as Olimpíadas de 2004 em Atenas (Armando Franca/©AP Images)

Claudio Nogueira cobriu os Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas, para o jornal O Globo do Rio de Janeiro. Ele relembra a tarefa como um teste de habilidade e resistência, não muito diferente da experiência dos atletas.

Nogueira é jornalista do O Globo desde 1987. Ele cobrirá os Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim.

Quando cheguei a Atenas para cobrir os jogos de 2004, senti como se estivesse reunido com o mundo todo em uma única cidade. Assim como todo atleta sonha e se esforça para participar das Olimpíadas, o mesmo ocorre com os jornalistas. Cobrir esse evento é uma das atribuições mais importantes para um jornalista e uma das que mais exige.

Cobrir os Jogos Olímpicos é um trabalho árduo. Logo após o café da manhã, eu corria para o ônibus da imprensa para chegar aos locais dos jogos ou dos treinamentos do dia. Em geral, cobria um evento pela manhã, um segundo à tarde e possivelmente outro à noite. Nos intervalos entre as entrevistas e os jogos tentava escrever do modo mais rápido, inteligente e criativo que pudesse para cumprir a tarefa.

De certo modo, estar nas Olimpíadas como jornalista também faz de você um atleta. Você começa cedo e movimenta-se rápido a todo o momento do dia. Combina com os colegas sobre diferentes eventos a cobrir, corre para pegar os ônibus da imprensa entre um lugar e outro e carrega um laptop e outros equipamentos que ficam mais pesados a cada hora. Eu precisava também arrumar tempo para gravar um boletim de áudio diário para o site do O Globo [www.oglobo.com.br] sobre tudo o que tinha coberto naquele dia. Em algum momento dessa programação, também tentava me alimentar e telefonar para minha esposa, Vânia, em casa.

O dia terminava com o jantar junto com os colegas e, depois, cama, para estar pronto para outro dia dessa maratona jornalística.

Quando cheguei a Atenas já tinha uma lista de eventos para cobrir, baseada na minha experiência de repórter e nos esportes em que os atletas brasileiros poderiam brilhar.

Minha primeira prioridade era a ginástica de solo. O Brasil tinha esperanças de medalha de ouro para Daiane dos Santos, que havia sido campeã mundial em 2003. Infelizmente, Daiane teve uma contusão e terminou em quinto lugar nas finais, perdendo a tão almejada medalha. Essa foi a maior decepção para os brasileiros nos Jogos de Atenas.

Members of the Brazilian volleyball team celebrate their gold medal win over Italy in Athens.
Membros do time de voleibol brasileiro comemoram a conquista da medalha de ouro na disputa contra a Itália, em Atenas (© Sergio Moraes/Reuters/Corbis)

Após a frustração da ginástica na primeira semana, minha principal tarefa na segunda semana foi cobrir o time brasileiro de voleibol masculino. A essa altura, o Brasil caminhava para as finais, jogando contra a Itália. As apostas no time eram altas. Em 1992, em Barcelona, o Brasil havia ganho a medalha de ouro no voleibol masculino, e todo mundo esperava por uma repetição desse feito. Foi uma partida bastante tensa, mas o Brasil venceu a final — por 3 sets a 1 — e levou o ouro.

Cobri os Jogos Pan-Americanos de 1999 e 2003 e vi os atletas do meu país ganharem muitas medalhas de ouro. Mas em Atenas foi a primeira vez que cobri a conquista brasileira de uma medalha olímpica. Devo confessar que um ouro olímpico é uma experiência totalmente diferente. É o auge, é o máximo.

Essa história mostra um problema com o qual todos os jornalistas esportivos precisam lidar durante os torneios internacionais — o equilíbrio entre as responsabilidades profissionais e as próprias emoções. Sou jornalista, mas também sou brasileiro. Portanto, quando estou cobrindo um evento, obviamente espero que os atletas brasileiros ganhem. Ao mesmo tempo, não estou lá para torcer. Ao longo da minha carreira aprendi a conter minhas emoções de torcedor e a assistir ao torneio como um observador credenciado por um jornal para escrever sobre o que viu. Escrever é o meu dever. Quando escrevo para um jornal, sou de algum modo parte da história e parte da história da minha nação nessa celebração global que são os Jogos Olímpicos.