Ideais Olímpicos e Realidades do Mundo
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Nos próximos meses, quase 11 mil atletas se reunirão em Pequim para as Olimpíadas de 2008, na esperança de dar o melhor de si para cumprir o lema olímpico “mais rápido, mais alto, mais forte”. Ao mesmo tempo, proponentes de causas bem diferentes que incluem a melhoria dos direitos humanos, a mídia livre e a qualidade do meio ambiente na China também estarão competindo pela atenção do mundo. O início dos Jogos Olímpicos está marcado para 8 de agosto, em Pequim, e desde os Jogos de Seul, em 1988, é a primeira vez que o evento de verão é realizado no Leste Asiático. Desde que foram escolhidos pelo Comitê Olímpico Internacional para sediar os Jogos, em 2001, os chineses vêm trabalhando para receber o mundo em sua capital. Seus esforços têm sido acompanhados por uma série de questões de organizações não-governamentais, ativistas de direitos humanos e até alguns governos sobre a prontidão da cidade e da nação para sediar um evento global que de várias formas simboliza as mais elevadas aspirações da humanidade. O histórico de direitos humanos da China prejudica suas qualificações para sediar esse evento? Em março, na cerimônia de acendimento da tocha olímpica na Grécia, protestos contra a política da China ofuscaram o brilho do evento. Enquanto a tocha olímpica passava por várias cidades, sua chegada era saudada por alguns e execrada por outros que se recusam a aceitar Pequim como sede dos Jogos. Com que freqüência isso acontecerá, já que os Jogos se aproximam? Protestos e passeatas chamam a atenção negativa da mídia sobre a China, cujo governo ainda é tido como autoritário, segundo o relatório sobre direitos humanos do Departamento de Estado divulgado em março de 2008. “O governo reforçou as restrições à liberdade de expressão e de imprensa, especialmente antes e durante eventos considerados sensíveis”, revelou o relatório. Centenas de representantes da mídia estarão na China para os Jogos Olímpicos. Se eles sofrerem restrições em seus trabalhos de reportagem, então a China poderá entrar em conflito com seu maior parceiro no patrocínio dos Jogos, o Comitê Olímpico Internacional (COI), órgão comprometido com um ambiente de mídia livre de acordo com as disposições de sua Carta Olímpica. “O COI toma todas as medidas necessárias para assegurar a mais completa cobertura por intermédio dos diferentes meios de comunicação e a maior audiência possível no mundo todo para os Jogos Olímpicos”, segundo sua Carta. Em declaração divulgada antes da cerimônia de acendimento da tocha, na Grécia, o presidente do COI, Jacques Rogge, falou sobre o compromisso de longa data com uma mídia livre em razão da controvérsia iniciada em março com os desentendimentos entre as autoridades tibetanas e chinesas. “Acreditamos que a China mudará ao abrir o país aos olhos do mundo, por intermédio dos 25 mil meios de comunicação que estarão presentes para cobrir os Jogos”, acrescentou. “Os Jogos Olímpicos são uma força para o bem. Eles são um catalisador para a mudança, não um remédio para todos os males.”
A China vem trabalhando para mudar em diversas áreas nesses anos de preparação para os Jogos. A má qualidade do ar e outros problemas ambientais suscitaram dúvidas sobre a conveniência de Pequim como cidade anfitriã à época da seleção. Em resposta, a cidade vem trilhando um caminho sólido na direção de políticas ambientais mais saudáveis em meio a um passo acelerado rumo ao crescimento econômico. Com assistência técnica da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, a China tem trabalhado para melhorar suas condições e criar uma Olimpíada verde, investindo US$ 120 bilhões no esforço, segundo a Televisão Central da China. O COI também vem monitorando o meio ambiente em Pequim e seu potencial impacto no desempenho dos atletas. Em comunicado de março de 2008 baseado em dados de desempenho dos atletas, coletados em agosto de 2007, em Pequim, o órgão revelou que “de modo geral, a saúde dos atletas não foi prejudicada”. Apesar desses esforços, alguns atletas expressaram preocupação sobre como a má qualidade do ar poderia pode afetar seu desempenho, e os especialistas em probabilidades não estão preocupados em quebras de recordes de desempenho em Pequim. A crescente atenção pública para esse amontoado de controvérsias está abrindo caminho em direção aos níveis políticos mais elevados de algumas nações. Alguns líderes ocidentais anunciaram que não estarão presentes às cerimônias de abertura. Outros rejeitam as tentativas de misturar política com esporte. Como esta publicação está indo ao ar quatro meses antes dos Jogos, não temos como saber o que acontecerá no dia da abertura em agosto. Não obstante os problemas e as incertezas, continuamos a desejar que os organizadores chineses recebam o mundo em Pequim dentro do espírito olímpico e que os atletas tenham a oportunidade de brilhar no cenário mundial. O comitê organizador dos Jogos de Pequim resume esse espírito com o lema “Um mundo, um sonho”. Segundo a explicação do comitê anfitrião para o lema: “Apesar das diferenças de cor, idioma e raça, compartilhamos o encanto e a alegria dos Jogos Olímpicos e, juntos, buscamos o ideal de paz para toda a humanidade. Pertencemos ao mesmo mundo e temos as mesmas aspirações e sonhos.” Charlene Porter | ||||