Perde-se Muito Antes de Chegar LáTab Ramos
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Tab Ramos, jogador de futebol profissional, participou de três Copas do Mundo como membro da equipe americana e teve passagens por times profissionais da Espanha, do México e dos Estados Unidos. Também foi homenageado no Hall da Fama do Futebol dos EUA. Contudo, antes dessas conquistas, Ramos participou da equipe de futebol masculino dos EUA nas Olimpíadas de Seul 1988. Lá aprendeu algo que norteou sua carreira e que ele compartilha com a nova geração de jogadores de futebol treinada por ele atualmente. Em 1988, os Estados Unidos com certeza não eram reconhecidos como um país do futebol. Nós, membros da equipe olímpica, tentávamos conquistar respeito em todo lugar que íamos. Era muito difícil, porque em qualquer lugar que aparecíamos, todos consideravam os EUA o time lanterninha. Quando chegamos às Olimpíadas de Seul, caímos em um grupo muito difícil na primeira rodada. A Argentina era um dos times, uma das potências mundiais do futebol por 70 ou 80 anos. A União Soviética estava em nosso grupo; terminou ganhando a medalha de ouro, portanto, sem dúvida, era o time mais forte. E a Coréia do Sul estava em nosso grupo e era o país anfitrião. Na melhor das hipóteses, a expectativa era de que perderíamos os três jogos, então não nos sentíamos muito pressionados. É mais fácil jogar quando não se espera que você faça muita coisa. Mas, ao mesmo tempo, sentíamos que queríamos provar alguma coisa. Lembro-me da primeira vez que entramos em campo contra a Argentina. Na verdade, a Argentina teve muita sorte. Eles empataram nos dois últimos minutos restantes do jogo, 1x1, jogo que estávamos ganhando desde o primeiro tempo. Portanto, chegamos perto de uma vitória. Então jogamos com a anfitriã Coréia do Sul no segundo jogo, e acredito que empatamos em 0x0 nesse jogo. Aí partimos para um terceiro jogo contra a União Soviética. Sabíamos que eles eram fortes e, obviamente, tinham alguns jogadores profissionais. Terminamos perdendo um jogo muito bom, 4x2, para o time que no final conquistou a medalha de ouro. Fomos eliminados na fase de grupos, portanto não chegamos às semifinais. Não chegamos à fase de medalhas, mas para nós foi uma boa exibição.Foi a primeira vez que o futebol masculino dos EUA competiu realmente em nível internacional elevado.
Embora não tenhamos ganho nada, saímos de lá sabendo que fizemos o máximo e que ajudamos o futebol dos EUA a avançar. Chegamos como uma equipe desconhecida, jogando contra estrelas do futebol de outros países. Nós realmente fizemos o máximo que podíamos. Sabíamos ter dado tudo que tínhamos. Essa é uma boa lição para ser lembrada nos esportes e na vida. Eu a ensinei a meus próprios filhos, que estão jogando futebol agora, e a outras crianças sob meu treinamento. Para mim, o objetivo mais importante é fazer o melhor possível. Isso é tudo que você pode exigir de si mesmo. Participei de um esporte coletivo, portanto, só me resta fazer o melhor possível para ajudar meu time a ganhar. Afinal de contas, se isso não é bom o suficiente, bem, realmente não há uma grande diferença entre ganhar e perder a partida. Se você estiver fazendo o que é possível para ajudar seu time, então você deveria se orgulhar disso. Há muitas crianças que nos próximos anos serão adultas e esperam fazer parte dos Jogos Olímpicos, ou da equipe olímpica americana, mas isso simplesmente não acontecerá. Contudo, isso não tem nada a ver com o fato de elas não terem se empenhado. Tem a ver com fato de elas não terem talento o suficiente para estar lá. Com certeza, ganhar é algo almejado por todos, mas infelizmente há apenas um vencedor. Todos os outros perdem. Após longa carreira no futebol, sempre digo às crianças que agora treino: “Perdi mais jogos do que vocês ganharão em toda a vida.” Há algo que realmente fica com cada atleta que atingiu um nível elevado. Perde-se muitos jogos até se chegar lá, e perde-se muitos jogos importantes para se chegar lá. Isso não precisa acabar com você. É aí que está a graça do esporte fazer você se esforçar mais da próxima vez. Para falar a verdade, não gosto de perder, nem mesmo em jogos de tabuleiros, por isso não estou dizendo que se deve gostar de perder. Mas é necessário aprender como seguir em frente depois da derrota, aprender que não se ganha o tempo todo, mas ainda assim deve-se continuar tentando.
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