Tudo o Mais PáraGabriela Szabo
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Como competidora olímpica em 1996 e 2000, a corredora romena Gabriela Szabo ganhou medalhas de bronze, prata e ouro a coleção completa, como disse um dos nossos colaboradores. Os momentos finais de sua corrida vitoriosa estão cravados na sua memória. Em uma corrida de 5 mil metros, é só nos últimos 200 metros que você começa a contar seus passos. É como se tudo mais parasse e você fosse o único ser vivo em movimento. O som da sua respiração compete com o som dos seus passos e as pessoas em volta como que desaparecem. De repente sua visão da multidão fica menos clara. É como tirar uma foto e focar somente em um só objeto e nada mais. Nesses momentos finais da corrida, o único objeto em foco é a linha de chegada. Os últimos passos de uma corrida não são parte do seu movimento normal. Corre-se pela vitória e isso injeta força e velocidade para atingir a meta. Gostaria de poder dizer que isso não traz sofrimento algum. Não posso. Contudo, é um sentimento conflitante. Seus músculos doem, mas sua mente está focada na vitória. Você luta entre essas duas forças pulsantes. É quando de repente o treinamento tem sua razão de ser. Aqueles momentos em que seu corpo era forçado até o limite não mais parecem sem sentido. Eles prepararam seu corpo para ganhar!
Quando alguém me pede para descrever os sentimentos durante uma corrida, eu me lembro de Sydney e minha história passa a ser a daquela corrida de 5 mil metros. Foi uma corrida dura, mesmo que eu não possa dizer que tenha sido mais dura do que as outras. Talvez o fato de fazer parte dos Jogos Olímpicos lhe tenha dado um toque especial e, por conseqüência, a vitória foi fantástica. Não sei se já havia tido antes tanto orgulho de ser atleta e de representar a Romênia. Amei a volta olímpica em torno do campo com a bandeira sobre os ombros! E de repente o sofrimento daqueles últimos 100 metros não estava mais lá. Corro desde os 13 anos. Tive a sorte de encontrar Zsolt, meu técnico, que depois se tornaria meu marido. Compartilhamos juntos os esforços de todas as corridas. Portanto, durante todo o difícil treinamento e extrapolando cada vez mais os limites do meu corpo, eu não estava sozinha e sabia disso no fundo da minha alma. Deixei o esporte em 2004 porque senti que o meu corpo não podia ir mais além. No entanto, eu sabia da minha responsabilidade perante as pessoas que acompanharam minhas vitórias como atleta. Atualmente sou vice-presidente da Federação de Atletismo da Romênia e iniciei uma campanha social, “Esporte para a Vida”, por meio da qual procuro conscientizar as pessoas e estimulá-las a correr nas ruas ou nas pistas. Também passo bastante tempo visitando escolas. Falo para as crianças o quanto é bom praticar esporte e que participar de uma corrida pode ser bastante divertido. Tento mostrar a elas o que aprendi em todos esses anos de atletismo. O esporte me ensinou a estabelecer metas e a trabalhar duro para alcançá-las. Correr me fez descobrir o sucesso, e Sydney foi parte da minha aprendizagem. Também conheci o fracasso. No entanto, por sorte, após experimentar as duas faces da moeda, eu sabia que era preciso trabalhar mais do que nunca. Espero compartilhar a minha paixão pelo esporte com todas as pessoas que eu puder encontrar e falar. É muito bom ver como elas descobrem o esporte e o prazer que ele desperta. Amo em especial as crianças e a maneira lúdica como elas vêem o esporte. Quero fazer o possível para que continuem a ver nele uma fonte de diversão, de modo a não abandonarem o atletismo depois de grandes. E se apenas uma única criança for campeã no futuro, terei a certeza de que meu esforço valeu a pena!
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